sexta-feira, março 11

o que sobrou das nossas atuações.

Faz tempo que meu celular não anuncia uma mensagem tua, que a janelinha laranja não pisca com o teu nome na tela plana no meu computador.
Tem muitos dias que eu não sei que é ouvir a tua voz me desejando boa noite pelo aparelhinho rosa que fica estagnado no meu quarto. Querido, faz tempo que me dissestes que independente do que eu diga ias continuar colocando atrás da minha orelha os anéis de cabelo marrom que escorrem do meu rabo de cavalo mal feito, ias continuar me chamando pro cinema quando as tardes forem tristes e que teu ombro ia estar ai pra mim, assim como a tua paciência pra me explicar pela décima vez a questão de matemática que eu não soube fazer.

Moreno faz muito tempo que não falo de ti. Não te cito nos meus textos não falo de ti pros meus amigos nem pra mim mesma e nem antes de dormir naquelas noites que insisto em lembrar de muitas coisas que eu deixei pra tras.
Demorou mas não me lembrava mais de como era lembrar de ti. De como era tentar remontar a tua voz no meu inconsciente. Da ultima vez que tentei teu tom sarcastico ressoava dizendo alguma coisa sobre como eu era teleguiada ( palavra esta presente em todas as tuas desculpas de porque a gente nao dar certo). Da ultima vez que tentei lembrar do teu jeito ele ainda me doia. Rasgava aquela ferida recem cicatrizada e me forçava a passar por todo o processo de cicatrização de novo.

Da ultima vez que eu te vi o mundo ainda desandava. Era outubro e a batida de alguma musica incomodava meu timpano. Ou a bigorna estribo ou qualquer coisa desssas. Da ultima vez me doia tanto. E o que me doía mais do que tudo era não te ter no dia seguinte.
Sabe moreno fazia tanto tempo que eu não te lembrava que até foi bom te lembrar agora.

O sorriso montou no canto do lábio quando vi uma foto tua perdida numa dessas pastas remotas que a gente sempre tem no computador com alguma foto sobrevivente do passado que naufragou. Um sorriso bonito me fez companhia enquanto eu tentava lembrar da ultima vez que eu tinha visto essa foto. Não consegui me lembrar. Tentei puxar na memoria então algo de bonito que a ente viveu. Qualquer dessas coisas bestas de adolescente com o namoradinho. Lembrei das nossas fugas dos nossos planos B. Dos nossos pseudo almoços. Lembrei de muita coisa.. Mas é estranho querer lembrar o passado e ter a impressão do que aconteceu foi com outra pessoa e não com a gente. Te ver e não ter a impressão que te conheço, como se fosses só mais um desses caras bonitinhos que por alguma razão a gente guarda uma foto ou outra. Como se fosses um desconhecido que agora és pra mim. Faz tanto tempo né moreno...E eu guardei tanta mágua. Besteira .. tanta besteira. A gente é mesmo besta algumas vezes na vida, principalmente quando quer provar pra si mesmo que se quer ser inesquecivel na vida de alguem e esse alguem não segue o script.
Sabe, eu sinto falta. De tudo o que fomos, que não fomos e que em segredo sonhamos em ser. E lá no fundo me arrependo de não ter posto mais coragem quando foi inevitável uma resposta final. Foi medo sim, foi medo de estragar, de dar uma denominação pra tudo o que até ia bem sem nome algum. Mas talvez essa historia de não saber ao certo o que um era pro outro só fosse bom pra mim. Eu me envolvia, mas não precisava admitir, eu sabia o que queria, mas não precisava contar. Foi nessa de omitir essas pequenas coisas sem importância e escancarar outras verdades que teci o fim. Ou talvez fosse tudo culpa dessas verdades escancaradas. Saber demais um do outro, todos os defeitos escondidos debaixo do tapete e esquecidos atrás da cama que só se descobre a muito custo. Defeitos demais entrelacados com as qualidades e talvez não tenhamos sido fortes demais. OU eu devesse falar por mim, já que eu que fui fraca pra não suportar.

Agora sei que estás numa estradinha de terra batida pra bem longe de mim e de tudo que um dia sonhamos em ser. E do que fomos. E do que eu pensei que fomos, e do que pensavas que nunca tinhamos sido.

Sei que andas feliz e fico feliz que estejas assim, mesmo que nesse teu novo caminho sem asfalto. Saiba que ando feliz também.Por mim, por ti, pelas coisas bonitas que acontecem o tempo todo pra todo mundo. Ando estudando aos finais de semana e lendo um livro ou outro nessas minhas madrugadas de insônia. Tenho saido também. vezes com alguns caras, outras com alguma dessas amigas que eu tenho milhões de eras de fofocas para por em dia. Mas ando feliz. Não penso mais em ti porque achei outro cara para pensar sobre. Outro cara e outros planos, rotas de fuga na verdade. POrque a gente, vez por outra, tem que fugir de tudo, até de nós mesmos, pra poder fazer as coisas serem bonitas e deram certo pra gente também.