Vez ou outra meus olhinhos voltam a encher d'água e eu corro, afobada, tropeçando nos meus próprios pés e dedos, pro computador digitar umas palavras do jeitinho que elas aparecem na cabeça, na tentativa, meio frustrada, de um afago que nunca chega. Palavra também acalenta coração machucado. ou a gente pensa que acalenta. A gente finge que acalenta.
O que acalenta mesmo é o que nunca vem, e por isso fica ali, pulsando. É a calmaria no peito de tá-tudo-resolvido que não vem. É essa paz por dentro que demora a vir. e quando vem a gente nem percebe de tão devagarinho que é, mas quando se vai, meu bem, é de uma vez e deixa a pele em carne viva, sangrando, ardendo, doendo. E ninguém fica muito ai para sarar. Não tem methiolate, nem aqueles antigos que ardem. Não tem colo de mãe, não tem musica do chico, não tem palavra escrita, lida ou falada, que dê jeito.
O jeito, a gente descobre com o tempo, é sentir cada fisgada ali, sozinha, no luto prematuro de todas as coisas que eram para ter sido, e não foram. Até que uma hora para. ou a gente se acostuma. Nunca soube ao certo.
broken hearts paradise
terça-feira, outubro 25
quinta-feira, março 17
about him
O nosso tempo, que nunca foi abundante, cada vez se torna mais escasso. Mas, por mais Dias que eu fique sem teu colo, meu amor por ti só aumenta. Por saber que são fases, por saber que são as frases que a gente diz baixinho no pé do ouvido que valem enquanto meus pezinhos inquietos procuram os teus, na tua ausência.
Mas distância física nenhuma afasta a certeza que meu peito so encaixa e quer o teu. É aí que eu reparo que nem toda presença do mundo supre a falta que a tua me faz, ou impede aquela dorzinha fina que dá na garganta toda vez que eu preciso te ver descendo pelo elevador. É, garoto. Pra suprir a minha vontade de voce, nem a eternidade. Mas eu aceito esse vai é vem constante, seja pra edificação da tua pessoa, ou da nossa. Toda vez que fores,eu fico aqui torcendo pra que esses dias corram. Toda vez que chegares eu to aqui com os olhinhos de echendo d'água pra sufocar a saudade que insiste em crescer.
Mas distância física nenhuma afasta a certeza que meu peito so encaixa e quer o teu. É aí que eu reparo que nem toda presença do mundo supre a falta que a tua me faz, ou impede aquela dorzinha fina que dá na garganta toda vez que eu preciso te ver descendo pelo elevador. É, garoto. Pra suprir a minha vontade de voce, nem a eternidade. Mas eu aceito esse vai é vem constante, seja pra edificação da tua pessoa, ou da nossa. Toda vez que fores,eu fico aqui torcendo pra que esses dias corram. Toda vez que chegares eu to aqui com os olhinhos de echendo d'água pra sufocar a saudade que insiste em crescer.
domingo, novembro 1
domingo, outubro 11
Quando ele se vai.
Enquanto ele estava aqui eu me segurava na certeza fixa de que ele não iria embora. Alguns dias eu temia muito a ideia de não o ter mais para dividir aquelas dores diárias, e outros eu, por pura birra pós-briga , esperava ansiosa o dia que apareceria algum problema grande e forte o bastante pra gente poder nunca mais se cruzar de novo - e me arrependia da idéia 5 segundos depois. E ai que aconteceu. O problema grande demais para ser resolvido apareceu e agora eu to aqui, colocando em pratica todas as tristes confabulações feitas naqueles momentos desesperados em que eu me imaginava caminhando bem longe do meu rapaz.
E vou te dizer, está sendo horrivel. Horrível não só por eu finalmente ter realizado que ele era sim o cara que casava comigo em todos os aspectos, mas por perceber que hoje existe quase mais dele em mim do que eu mesma. Eu me transformei na sua versão feminina e um pouco mais pé- no chão. E isso vai muito alem do gosto musical e da ideia fixa sobre festivais e viagens. Eu percebi que me tornei uma pessoa bem melhor quando eu lembrava do que ele faria, e fazia igual, do que eu era antes de ter aqueles olhos claros me guiando por ai.
Mas agora o que a gente faz? O que a gente pode construir com o que fica quando todo o resto se vai? E agora que nenhuma cara desperta mais um arrepio na espinha quando avisa que está na minha esquina me esperando pra levar pra jantar? O que a gente faz com as borboletas no estomago que, desde a tua partida prematura, entraram em extinção?
Mas agora o que a gente faz? O que a gente pode construir com o que fica quando todo o resto se vai? E agora que nenhuma cara desperta mais um arrepio na espinha quando avisa que está na minha esquina me esperando pra levar pra jantar? O que a gente faz com as borboletas no estomago que, desde a tua partida prematura, entraram em extinção?
Uma amiga me disse ontem que chega uma hora, um cara aparece na tua vida e bagunça tudo. E ai depois de uns mil vacilos, e uns meses juntos com cinemas e pipocas, você se dá conta de que ele é o amor da sua vida. Não porque o amor de vocês deu certo, porque na maioria das vezes o amor da sua vida vai te largar sim. Vocês vão se odiar e tudo vai dar errado- antes de dar certo, ou não.
Quando a gente descobre o amor da nossa vida não quer dizer que encontramos quem combina conosco em tudo. Nem que vocês não vão se achar loucos por uma porção de coisas. Você só percebe que ele é Ele porque, por mais que ele seja o maior babaca do mundo, você não consegue imaginar seu corpo inquieto de nervosismo enquanto ele anuncia que está estacionando e vai subir pra te dar um beijo com mais ninguem.
Quando a gente descobre o amor da nossa vida não quer dizer que encontramos quem combina conosco em tudo. Nem que vocês não vão se achar loucos por uma porção de coisas. Você só percebe que ele é Ele porque, por mais que ele seja o maior babaca do mundo, você não consegue imaginar seu corpo inquieto de nervosismo enquanto ele anuncia que está estacionando e vai subir pra te dar um beijo com mais ninguem.
Depois que voce encontra o amor da sua vida- e deixa ele ir embora- você pode até conhecer ainda muitos caras. Você deve até tentar se imaginar de mãos dadas, conhecendo a família de outros caras. Mas nada tem aquele frio na barriga.
Nada te deixa tão a vontade. Nada te deixa vai tão "você". Aquela saidinha no final de semana pra ouvir uma banda legal perde todo o encanto quando você sabe que não vai ter ninguem dançando com você e sussurrando refrões no seu ouvido.
E nem tem nada a ver com o tempo que vocês passaram juntos e a intimidade que cresce naturalmente com o tempo.Porque com o amor da sua vida desde o primeiro dia tudo já foi fora do normal. E ai só basta rezar pra vida ser mesmo muito longa, e o mundo muito pequeno pra vocês se encontrarem de novo por ai,.
Nada te deixa tão a vontade. Nada te deixa vai tão "você". Aquela saidinha no final de semana pra ouvir uma banda legal perde todo o encanto quando você sabe que não vai ter ninguem dançando com você e sussurrando refrões no seu ouvido.
E nem tem nada a ver com o tempo que vocês passaram juntos e a intimidade que cresce naturalmente com o tempo.Porque com o amor da sua vida desde o primeiro dia tudo já foi fora do normal. E ai só basta rezar pra vida ser mesmo muito longa, e o mundo muito pequeno pra vocês se encontrarem de novo por ai,.
26/06
Poucas coisas são tão boas como o cheiro de shampoo que tem o seu cabelo as 7 da manhã, ou o cheiro que fica no cantinho da tua orelha quando acordas as 11 da manhã num domingo.
POucas coisas são tão boas como a tua voz as 6 da matina pra avisar que ta indo nadar enquanto eu ainda tenho mais 45 minutos de sono antes do despertador apitar.
Garoto, ainda não inventaram coisa melhor do que teus dedos brincando com minhas mechas de cabelo enquanto assistimos um filme qualquer, ou melhor: do que o cheirinho do teu cafe enquanto eu me preparo pra mais uma daquelas madrugadas estudando.
Meu bem, muitas guerras acabariam se o resto do mundo soubesse da paz que é encostar a cabeça no teu peito, enquanto a gente se abraça e dança na minha sala mesmo sem musica nenhuma.
Meu bem, muitas guerras acabariam se o resto do mundo soubesse da paz que é encostar a cabeça no teu peito, enquanto a gente se abraça e dança na minha sala mesmo sem musica nenhuma.
Vamos, bartholomeu.
Agora percebo que me conhecias como ninguém. Podias prever meus atos, minhas caras, minhas neuras e, mesmo assim, ainda insistias em te fingir de surpreso quando eu esperneava meu pranto por ai, como se já não soubesses na ponta da língua o sabor da loucura e do drama da tua mulher.
Mesmo se fazendo de desentendido pelas minhas brigas, encenavas surpresa enquanto eu reclamava mais do que suportavas, e mesmo assim continuavas sendo mais do que o Amor previa pra mim.
E continuastes sendo, nesses últimos meses em que meu pé tinha descoberto que em cima dos teus era um bom lugar para descansar, um homem capaz de encostar a testa na minha e, entre dois sorrisos frouxos, mesmo com as minhas espinhas, cabelo ruim, e mau humor, ficar feliz só de se encontrar.
A gente tinha o mesmo gosto, tanto pras piadas ruins quanto no céu da boca.
Quando eu me cheirava sentia o teu cheiro e meus dedinhos afobados sabiam digitar teu numero mais rápido do que o papa léguas corria do coyote, só pra sanar aquela vontade incessante de ouvir tua voz serena e acalmar minhas agonias.
Mesmo sozinha eu já ouvia - e ainda ouço - tua risada junto com a minha todas as vezes que me deparo com essas coisas sem-graça-e-que-só-eu-rio. A gente tinha o mesmo toque. Vibrava na mesma frequência e nossas rádios sempre estavam na mesma estação. A gente era sincronizado na mesma playlist.
Nosso dia-a-dia tinha tanto um do outro que já era impossível saber o que era de quem, seja no nome do esmalte ou dos futuros filhos. A gente tinha os mesmos gestos. A mesma mania estranha de falar com voz de criança e a mesma vontade de largar tudo pra ficar dormindo um pouco mais. A gente tinha as mesmas neuras, e quando não tinha, a gente se fortalecia.
Quer coisa mais bonita que um casal que é um só?
Mas nessas de se fortalecer a gente acaba, vez por outra, se estranhando.
De tanto ser um só a gente acaba se enfraquecendo também. E ai a tentação e o descuido vem e PLOFT! Você tem que reunir suas coisas e tirar o time, na tentativa futil de não estragar aquela lembrança boa que um foi para o outro.
Quer coisa mais triste que um casal-somos-um-só que tem que reaprender a ser dois de novo?
-Vem bartholomeu, não nos querem mais aqui.
Mesmo se fazendo de desentendido pelas minhas brigas, encenavas surpresa enquanto eu reclamava mais do que suportavas, e mesmo assim continuavas sendo mais do que o Amor previa pra mim.
E continuastes sendo, nesses últimos meses em que meu pé tinha descoberto que em cima dos teus era um bom lugar para descansar, um homem capaz de encostar a testa na minha e, entre dois sorrisos frouxos, mesmo com as minhas espinhas, cabelo ruim, e mau humor, ficar feliz só de se encontrar.
A gente tinha o mesmo gosto, tanto pras piadas ruins quanto no céu da boca.
Quando eu me cheirava sentia o teu cheiro e meus dedinhos afobados sabiam digitar teu numero mais rápido do que o papa léguas corria do coyote, só pra sanar aquela vontade incessante de ouvir tua voz serena e acalmar minhas agonias.
Mesmo sozinha eu já ouvia - e ainda ouço - tua risada junto com a minha todas as vezes que me deparo com essas coisas sem-graça-e-que-só-eu-rio. A gente tinha o mesmo toque. Vibrava na mesma frequência e nossas rádios sempre estavam na mesma estação. A gente era sincronizado na mesma playlist.
Nosso dia-a-dia tinha tanto um do outro que já era impossível saber o que era de quem, seja no nome do esmalte ou dos futuros filhos. A gente tinha os mesmos gestos. A mesma mania estranha de falar com voz de criança e a mesma vontade de largar tudo pra ficar dormindo um pouco mais. A gente tinha as mesmas neuras, e quando não tinha, a gente se fortalecia.
Quer coisa mais bonita que um casal que é um só?
Mas nessas de se fortalecer a gente acaba, vez por outra, se estranhando.
De tanto ser um só a gente acaba se enfraquecendo também. E ai a tentação e o descuido vem e PLOFT! Você tem que reunir suas coisas e tirar o time, na tentativa futil de não estragar aquela lembrança boa que um foi para o outro.
Quer coisa mais triste que um casal-somos-um-só que tem que reaprender a ser dois de novo?
-Vem bartholomeu, não nos querem mais aqui.
quinta-feira, maio 15
Após o final.
Agora o nosso não-amor tá ai marcando tudo de bonito que a gente teve um dia. Vale a pena estragar todos os nossos finais de semana quietinhos e bonitos por uma coisa qualquer? Vale a pena tentar esquecer que tua mão fica tão bem entrelaçada com a minha? vale a pena fingir que eu não ligo e que teu cheiro não fica ecoando na minha cabeça assim que passas pela porta jurando que nosso amor não volta mais?
Eu não sei lidar com essa tua nova face que eu criei. Nao sei te viver indiferente, fingindo que a gente não divide nada mais do que um " oi, dormiu bem?" sem importancia nenhuma.
Quem te esculpiu pro descaso fui eu. Eu que trabalhei todos os nuances teus pra que eu fosse só uma parte do teu dia quando não tem nada de interessante passando na tv, mas eu não aguento. Não dá pra pegar tudo o que a gente ja foi e aplicar no que somos agora. E eu quero a gente de volta. E eu te quero. Mas nao de qualquer forma. Porque agora só me queres também pra me esculpir da mesma maneira torta e porca que eu te esculpi, e me deixar toda trabalhada na amargura de poder ter feito as coisas darem certo, mas não fiz.
Quando me mandastes dar um ponto em tudo, eu sabia que ia ser assim. " Aceito o que tens a me oferecer", e desde o começo foi assim. Mas a crosta gelada de tudo de ruim que tinhas a me oferecer se liquefazia com as minhas maos quentes nas tuas costas, e agora minha aproximação de ti só te faz congelar cada vez mais. A gente tá caminhando pro abismo. " dançando em um quarto em chamas" como prevê a musica.
Eu sabia que tua indiferença e revanchismo reinariam entre a gente a partir de agora, e que se fosse pra jogar, irias jogar e ias me dar xeque-mate enquanto eu comia teu primeiro peão. Mas a teoria é bem mais bonita que a prática, e na pratica, a a teoria é outra, e eu não queria ver teus olhos não mais descansando sobre os meus. Nem tua mão não mais procurando a minha só porque juntas é um bom lugar de estar. Nem tua displincencia com nossos medos e as nossas vontades pro futuro. Ainda temos nossas vontades?
Eu estraguei tudo, tô sabendo. Estraguei até o nosso direito de ser uma memoria boa um pro outro.
No final é isso que importa, ne? ser uma memória boa que depois de 20 anos a gente se pega sentado na cadeira da cozinha com aquele sorriso bobo na cara pensando " poxa, foi tudo bom, podia ter dado certo". E agora daqui a 20 anos tudo o que vais pensar quando estiveres sentado na cadeira da cozinha e um molho barbecue ou uma colher de doce de leite te lembrarem de mim, vai ser em como não querias ter ido malhar naquele dia 4 de agosto, que um convite para uma festa nunca tivesse sido feito. Eu existi ou não pra ti?
segunda-feira, outubro 21
Sobre ele.
Eu não sabia o que fazer com a defunta esperança de achar um par, até que umas festas e uns pesos de academia me puseram na sua frente, de rabo de cavalo e cara de sono num domingo manhoso.
E no começo eu fazia pouco caso desse seu sorriso bonito, meio puxadinho pro lado. Havia tantos sorrisos bonitos por ai, pra que ficar gastando tempo pensando em um só, quando eu podia ter vários e não pensar em nenhum? E ai sua mão foi apresentada pra minhas costas, bem naquele espaço entre a cintura e as escápulas, com as suas unhas mal cortadas roçando a pele fina, e eu continuei achando que minhas curvas eram um estado laico e suas vontades eram militantes xiitas.
Sabe quando tudo desandou? Nem foi quando você mordiscou meu lábio, ou seu pé roçou o meu debaixo da mesa do restaurante, nem quando você quis se fazer grande com histórias de antigos carnavais. Foi quando eu encostei a cabeça no seu peito, e esqueci de lembrar dos outros tantos caras. Seja dos caras que lotavam a minha caixa de entrada na esperança de uma resposta que variasse de um "não" ou dos caras do passado que insistiam em atormentar o meu presente me fazendo acreditar que cara nenhum seria bom o suficiente.
E ai eu descobri que segurar as suas mãos era muito melhor do que segurar um copo de vodka importada nessas festinhas sem fundamento. E ai você me pegou e mostrou que a gente pode sim ser melhor amigo do nosso amor, e que isso nos liberta de muitas formas. Porque ao amar o nosso melhor amigo não tem essa de assunto proibido, nem citação mal feita: existe a gente sendo infinitamente feliz e ponto.
Mas nem tudo são primaveras e a seca atingiu nossa casa também, e quando eu vi a outra face das suas tantas verdades, eu me assustei. E tive medo, vou te dizer. Deu vontade de ir embora e nunca mais voltar, sim. Deu vontade de bater forte a porta do seu carro e massagear meu orgulho cuspindo promessas fortes de que nosso caminhos não iam mais se cruzar.
Dormi com o travesseiro molhado me convencendo de que tudo dito sobre o nosso amor não era nada mais do que um cara esperto que sabia enrolar uma mulher. Vai ver até era.
Mas quando acordei vi que isso tudo era besteira, e sempre reina aquela vontadezinha de tentar mais uma vez:Agora eu sei que não tem orgulho que fique de pé com a sua ameaça de ir embora. Pra onde eu ia? O que eu ia fazer de mim se a minha cintura pedisse suas mãos desajeitadas?
Você disse que as portas estavam abertas se eu quisesse ir. As feche, tranque com chave e cadeado e os deixe enferrujando por ai e me prometa que o nosso prematuro amor vai tentar superar isso também. Amor bom é esse, nego, que ameaça acabar o dia todo e no final das contas vem com o rabinho entre as pernas postergando esse fim, e por isso se molda todo a tudo.
Vai por mim, pondera continuar. Volta e fica. Fica comigo que eu caso de vez com todas as suas verdades, e você joga as minhas pra debaixo do tapete e a gente finge que elas nem existem, e sem direito a divórcio.
E no começo eu fazia pouco caso desse seu sorriso bonito, meio puxadinho pro lado. Havia tantos sorrisos bonitos por ai, pra que ficar gastando tempo pensando em um só, quando eu podia ter vários e não pensar em nenhum? E ai sua mão foi apresentada pra minhas costas, bem naquele espaço entre a cintura e as escápulas, com as suas unhas mal cortadas roçando a pele fina, e eu continuei achando que minhas curvas eram um estado laico e suas vontades eram militantes xiitas.
Sabe quando tudo desandou? Nem foi quando você mordiscou meu lábio, ou seu pé roçou o meu debaixo da mesa do restaurante, nem quando você quis se fazer grande com histórias de antigos carnavais. Foi quando eu encostei a cabeça no seu peito, e esqueci de lembrar dos outros tantos caras. Seja dos caras que lotavam a minha caixa de entrada na esperança de uma resposta que variasse de um "não" ou dos caras do passado que insistiam em atormentar o meu presente me fazendo acreditar que cara nenhum seria bom o suficiente.
E ai eu descobri que segurar as suas mãos era muito melhor do que segurar um copo de vodka importada nessas festinhas sem fundamento. E ai você me pegou e mostrou que a gente pode sim ser melhor amigo do nosso amor, e que isso nos liberta de muitas formas. Porque ao amar o nosso melhor amigo não tem essa de assunto proibido, nem citação mal feita: existe a gente sendo infinitamente feliz e ponto.
Mas nem tudo são primaveras e a seca atingiu nossa casa também, e quando eu vi a outra face das suas tantas verdades, eu me assustei. E tive medo, vou te dizer. Deu vontade de ir embora e nunca mais voltar, sim. Deu vontade de bater forte a porta do seu carro e massagear meu orgulho cuspindo promessas fortes de que nosso caminhos não iam mais se cruzar.
Dormi com o travesseiro molhado me convencendo de que tudo dito sobre o nosso amor não era nada mais do que um cara esperto que sabia enrolar uma mulher. Vai ver até era.
Mas quando acordei vi que isso tudo era besteira, e sempre reina aquela vontadezinha de tentar mais uma vez:Agora eu sei que não tem orgulho que fique de pé com a sua ameaça de ir embora. Pra onde eu ia? O que eu ia fazer de mim se a minha cintura pedisse suas mãos desajeitadas?
Você disse que as portas estavam abertas se eu quisesse ir. As feche, tranque com chave e cadeado e os deixe enferrujando por ai e me prometa que o nosso prematuro amor vai tentar superar isso também. Amor bom é esse, nego, que ameaça acabar o dia todo e no final das contas vem com o rabinho entre as pernas postergando esse fim, e por isso se molda todo a tudo.
Vai por mim, pondera continuar. Volta e fica. Fica comigo que eu caso de vez com todas as suas verdades, e você joga as minhas pra debaixo do tapete e a gente finge que elas nem existem, e sem direito a divórcio.
Quase
Não dá pra saber o que fazer com o pouco-quase-nada que restou.
Tua vontade de magoar cumpre com o previsto e machuca um pouquinho mais com cada frase desgostosa tua.
Nosso quase amor foi promovido a um mero capricho de dois corpos que precisam estar juntos, mas duas cabeças que não se entendem- e nem se aceitam.
Tua vontade de magoar cumpre com o previsto e machuca um pouquinho mais com cada frase desgostosa tua.
Nosso quase amor foi promovido a um mero capricho de dois corpos que precisam estar juntos, mas duas cabeças que não se entendem- e nem se aceitam.
terça-feira, outubro 15
Se for pra ficar
Se vai prometer ficar, fica comigo por inteira. Fica com a beleza do meu rosto limpo pela manhã e com as feridas recém abertas que nunca saram á noite. Não vou te pedir pra ficar, aqui só quero que fique quem assim o quer por vontade de estar junto, e não por imposição. Se decidir ficar, a porta vai estar sempre aberta, com o meu cotidiano " bom dia, dormiu bem?" e o meu não tão raro choro quando algo resolve não dar certo.
Pode levar um tempo, se quiser. Ficar não deve ser uma decisão tomada no impulso, e deve ser mesmo ponderada. Eu fico aqui, eu espero. Só não aceito que experimente outras bocas e nem que tua mão passeie por outras nucas enquanto tomas essa decisão: é algo que deve ser levado a sério e, uma vez que cogitado, deve ter ar de decisão já tomada.
Mas quando for pra ficar, que fiques por inteiro, também. Tanto para entreter os convidados quanto para lavar a louça depois da festa, vais ter que ficar. E com um sorriso na cara mesmo que isso seja a maior chatice - eu sei que é a maior chatice, mas o teu rosto com um sorriso me faz acreditar que essa chatice não é tão chata assim. Se for pra ficar, fique e me ajude a tirar a mesa, arrumar a casa, ao menos.
Não te obrigo a ficar, aqui fica quem quem quer e vai embora a hora que quiser também. Só te lembra de seguir uns protocolos de boa convivência, e me avisa pra que a tua partida não seja prematura. Dê sinais de desgaste e um ou dois motivos pra que eu também queira que partas, assim dói menos e me dá mais ânimo pra que eu bagunce depressa a casa e o coração pra que outro cara não tão bem intencionado se disponha a me ajudar a arruma-las também.
Agora, se tua mão quer ser dona da minha cintura, seja dono dos meus choros baixinhos também. E não faça pouco caso das minhas tempestades, mesmo que em copos d'água. Leve a sério minha vontade de ficar só e de escrever assim como a minha urgência repentina de te ver. E esteja lá quando eu te chamar, por mais que eu suma vez por outra.
Na tua chegada, na porta tinha um aviso que essa garota era complicada, mas no fundo vais ver que é até bem simples jogar quando o jogo é não seguir jogo algum, e só fazer o que se tem vontade.
Pode levar um tempo, se quiser. Ficar não deve ser uma decisão tomada no impulso, e deve ser mesmo ponderada. Eu fico aqui, eu espero. Só não aceito que experimente outras bocas e nem que tua mão passeie por outras nucas enquanto tomas essa decisão: é algo que deve ser levado a sério e, uma vez que cogitado, deve ter ar de decisão já tomada.
Mas quando for pra ficar, que fiques por inteiro, também. Tanto para entreter os convidados quanto para lavar a louça depois da festa, vais ter que ficar. E com um sorriso na cara mesmo que isso seja a maior chatice - eu sei que é a maior chatice, mas o teu rosto com um sorriso me faz acreditar que essa chatice não é tão chata assim. Se for pra ficar, fique e me ajude a tirar a mesa, arrumar a casa, ao menos.
Não te obrigo a ficar, aqui fica quem quem quer e vai embora a hora que quiser também. Só te lembra de seguir uns protocolos de boa convivência, e me avisa pra que a tua partida não seja prematura. Dê sinais de desgaste e um ou dois motivos pra que eu também queira que partas, assim dói menos e me dá mais ânimo pra que eu bagunce depressa a casa e o coração pra que outro cara não tão bem intencionado se disponha a me ajudar a arruma-las também.
Agora, se tua mão quer ser dona da minha cintura, seja dono dos meus choros baixinhos também. E não faça pouco caso das minhas tempestades, mesmo que em copos d'água. Leve a sério minha vontade de ficar só e de escrever assim como a minha urgência repentina de te ver. E esteja lá quando eu te chamar, por mais que eu suma vez por outra.
Na tua chegada, na porta tinha um aviso que essa garota era complicada, mas no fundo vais ver que é até bem simples jogar quando o jogo é não seguir jogo algum, e só fazer o que se tem vontade.
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