quinta-feira, maio 15

Após o final.

Agora o nosso não-amor tá ai marcando tudo de bonito que a gente teve um dia. Vale a pena estragar todos os nossos finais de semana quietinhos e bonitos por uma coisa qualquer? Vale a pena tentar esquecer que tua mão fica tão bem entrelaçada com a minha? vale a pena fingir que eu não ligo e que teu cheiro não fica ecoando na minha cabeça assim que passas pela porta jurando que nosso amor não volta mais?
Eu não sei lidar com essa tua nova face que eu criei. Nao sei te viver indiferente, fingindo que a gente não divide nada mais do que um " oi, dormiu bem?" sem importancia nenhuma. 
Quem te esculpiu pro descaso fui eu. Eu que trabalhei todos os nuances teus pra que eu fosse só uma parte do teu dia quando não tem nada de interessante passando na tv, mas eu não aguento. Não dá pra pegar tudo o que a gente ja foi e aplicar no que somos agora. E eu quero a gente de volta. E eu te quero. Mas nao de qualquer forma. Porque agora só me queres também pra me esculpir da mesma maneira torta e porca que eu te esculpi, e me deixar toda trabalhada na amargura de poder ter feito as coisas darem certo, mas não fiz.
Quando me mandastes dar um ponto em tudo, eu sabia que ia ser assim. " Aceito o que tens a me oferecer", e desde o começo foi assim. Mas a crosta gelada de tudo de ruim que tinhas a me oferecer se liquefazia com as minhas maos quentes nas tuas costas, e agora minha aproximação de ti só te faz congelar cada vez mais. A gente tá caminhando pro abismo. " dançando em um quarto em chamas" como prevê a musica. 
Eu sabia que tua indiferença e revanchismo reinariam entre a gente a partir de agora, e que se fosse pra jogar, irias jogar e ias me dar xeque-mate enquanto eu comia teu primeiro peão. Mas a teoria é bem mais bonita que a prática, e na pratica, a a teoria é outra, e eu não queria ver teus olhos não mais descansando sobre os meus. Nem tua mão não mais procurando a minha só porque juntas é um bom lugar de estar. Nem tua displincencia com nossos medos e as nossas vontades pro futuro. Ainda temos nossas vontades? 
Eu estraguei tudo, tô sabendo. Estraguei até o nosso direito de ser uma memoria boa um pro outro. 
No final é isso que importa, ne? ser uma memória boa que depois de 20 anos a gente se pega sentado na cadeira da cozinha com aquele sorriso bobo na cara pensando " poxa, foi tudo bom,  podia ter dado certo". E agora daqui a 20 anos tudo o que vais pensar quando estiveres sentado na cadeira da cozinha e um molho barbecue ou uma colher de doce de leite te lembrarem de mim, vai ser em como não querias ter ido malhar naquele dia 4 de agosto, que um convite para uma festa nunca tivesse sido feito. Eu existi ou não pra ti?

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