sexta-feira, dezembro 10

10/12

Tem dias que a gente fica mais sensível. Chora por tudo, se sente aquele biscoito mole que ninguém quer. Vira alvo fácil pra esses sentimentos tristes. E fica assim do nada, Avaliando o rumo engraçado que as coisas levam. No jeito que as coisas acontecem ou teimam em se distanciar da gente. Do jeito que as coisas sao inversamente proporcionais como gostariamos que elas fossem.
Engraçado como o destino gosta de fazer esses jogos, de nos deixar felizes de uma hora pra outra e trazer uma infelicidade na mesma velocidade.
E o mais cômico de tudo é que nem todo mundo gosta de assumir isso.
Sabe aquela bonitona que sempre está com um sorriso estampado? Sabe aquele cara que tem tudo na mão na hora que quer, quando quer? Pois bem, eles, até eles, tem os seus dias de patinho feio, de acordar atrasados, do cabelo insistir em lutar contra a gravidade, de nenhuma roupa ficar bem, de ter vontade de para de fazer o que estiver fazendo e voltar correndo pra cama e rezar pra esse dia acabar.
Ninguém é feliz o tempo todo, ninguém é tão otimista ao ponto de nunca ter pensado no lado negativo de uma coisa qualquer. E ao que parece, temos uma grande dificuldade em admitir isso.
Ser triste é bonito, é humano, é divino. Só quem sabe o que é ter um dia de cão dá o real valor num por do sol bonito que traz paz lá dentro do peito.
E sabe, eu entendi isso quando vi que quando se tem felicidade constante dentro da gente, a gente passa a não valorizar as coisinhas bonitas. Quando só coisas maravilhosas acontecem na nossa vida, sempre queremos mais e mais, e acaba caindo na rotina ser feliz. Acaba se perdendo dentro dessa loucura toda a beleza das pequeninas coisas. E posso dizer? deixar a felicidade cair na rotina é o pior erro. Tristeza e melancolia não tem que ocupar um lugar grande na nossa vida, mas temos que deixa-las penetrar em uma brecha ou outra só pra nos lembrar que isso aqui não é conto de fadas e que depois de toda tempestade, vem a calmaria.

domingo, dezembro 5

05/12

Eu tenho uma amiga. Ela é desse tipo de pessoa que acredita que se deve sentir tudo o que a vida proporciona e que, no final, cedo ou tarde, tudo que a gente sofre vem em dobro.
Ela vivia nessa vidinha mais ou menos. Ocupando todo o tempo livre com qualquer coisa. Evitava ficar só, evitava avaliar o rumo que as coisas tomam. Evitava pensar. Pensar, como já dizia algum poeta que marcavam as apostilas dela, doía. Dava uma melancolia que ela não queria para si.
E eu fui espectadora dessa novela por muito tempo. Espectadora, ombro amigo, companheira de sabados solitários e de outros não tão solitários assim. Fui aquela psicóloga que toda garota precisa ter.
Estive ali, em suma, só para entender como as coisas funcionavam pra ela.
Ela não saia com os caras que pintavam. Não retornava as ligações do bonitinho do 7º andar e passava longe dos caras com cabelos enrolados e cheirando a shampoo que juravam afeto maior que o mundo. Eu achava um desperdício enorme. Ela achava traição.
Nós, apesar de inseparáveis, nunca concordamos nesse ponto. Pra mim, as coisas demoram, mas passam e a vida é bonita demais pra ser esquecida numa marchinha fúnebre de carnaval. Pra ela, as coisas são imutáveis e tudo deve ser sentido com a intensidade que mereçe. Tando na dor, quanto no amor.
Acabou que se passaram dias, meses, semanas.Ela ainda negava o bonitinho do 701 e eu não entendia. doloroso. Ela sabia que tinha, dentro dela, uma cicatriz que ainda doía e que quando o esquecesse, ia ser de vez. Quer dizer, foi assim com os outros.
Muito tempo gostando. Muito tempo sofrendo. Muitas recaidas. Muitas horas avaliando. Muitas vezes se orgulhando por conhece-lo de cor mesmo que tenha esquecido o andar que ele mora. Muitos encontros de despedida que nunca acabavam. Muitas tequilas só pra ter pretexto pra roubar um beijo.
Ela tinha muito disso e demorava a passar. Mas quando passava, meu bem, voltar era um caminho, não impossível, mas muito difícil.
Aconteceu que eu enchi a cabeça dela. Passei finais de semana a fio injetando a idéia que cara qualquer era melhor que as noites de fossa dela. Ela não entendia. Dizia que tava passando, que ia passar, e me tapeava todas as vezes.
E no final, quando ela percebeu que se anulou numa coisa que não fazia o menor sentido, olhou pra mim com os olhos cor de ameixa com lápis em torno dos cílios e rímel meio borrado e disse que eu tinha razão.