quinta-feira, julho 22

Abstraia!

Nesses dias dei pra pegar os meus cadernos antigos e ver as besteirinhas que eu escrevia no meio das aulas chatas de fisica do segundo ano, e achei
lá, ocupando uma folha inteira em letras de forma " ABSTRAIA!" e fiquei cá pensando com os meu botões que abstrair é uma coisa engraçada.
Ao meu ver, abstrair é quase uma traição, é enaltecer as coisas boas e abnegar as ruins. é meio que subjugar as memórias de uma maneira pré-conceituosa, sabe. Qual o problema das quedas? dos traumas? de tudo o que há de negativo? Errar é esplendoroso, meu caro. Mas fica melhor ainda quando se tem a força e a coragem de erguer a cabeça e tentar de novo. E mesmo que não acerte, continua sendo magnífico. Se aprende com as quedas de uma maneira tal que jamais se aprenderia com os acertos. Quem não erra não vive, quem não se decepciona não aprende, quem não para e pensa " putz, fiz merda" não pode dizer o que realmente significa 'fazer o certo' ,quem não sofre um equívoco não sabe o que é realmente ter a razão, não está no seleto grupo dos que podem se dizer bem entendidos. Até porque, para falar que alguma coisa é boa ou ruim, é preciso conhece-la. e só se pode dizer que o erro é bom ou ruim ao conhece-lo muito bem. E eu vos digo, como quem conhece o erro como quem conhece o próprio guarda-roupas entulhado de camisetas idênticas de cores diferentes, o erro é uma dádiva,proporciona, muitas vezes, a segunda, terceira, quarta, quinta, vigésima chance de fazer as coisas darem certo, é a sacada que poucos tem, mas que quando aprendem, aceitam os infortúnios da vida numa perceptiva melhor.
Tá certo, todo mundo lastima errar, até mesmo esta que vos escreve, ninguém chega "poxa vida, peguei o metrô errado e agora vou parar no centro de uma favela, que pena"com um sorriso no rosto. Mas lhe garanto que dai em diante esse alguém pouco atento passará a prestar atenção nos minuciosos detalhes dos metrôs subsequentes.
O que eu quero dizer é que a longo prazo as desavenças do destino acabam por trazer beneficíos, pequeninas atitudes que nos fazem crescer psicologicamente, etnicamente, intelectualmente e todos os mentes que possamos imaginar. ( ok, exclua da lista o preguiçosamente e todos aqueles que soam estranhos ao contexto)
Em suma, errar é mágico.mantenha isso em mente.

sexta-feira, julho 16

Vai saber.

talvez fosse como um trauma, uma espécie de seleção-natural onde era preciso feri-los antes de ser ferida. Ou, quem sabe, lá dentro ela soubesse que por mais dificil que fosse ir, era infinitamente mais difícil reunir forças para voltar.
Até porque voltar, neste caso, significava escalar aquele muro enorme de orgulho que a circundava, aceitar todos aqueles defeitinhos bobos. Aceitar que as coisas podiam sim, se acertar, e ela teria que dar o braço a torcer.
Ou poderia não ser nada disso, também. Voltar poderia simplesmente significar que ambos abaixaram as armas e os escudos e as armaduras e tal, e resolveram se entender. Tudo poderia ter uma percepção diferente e só ela não via isso, por causa de toda aquela mania de complicar as coisas não complicáveis , de nunca achar que o jeito mais certo é o mais fácil. Até porque poucas coisas na vida são as mais certas por serem as mais fáceis. Mas talvez até fosse isso, sabe. Talvez não tenha sido o algomerados de impossiveis dos dois que os tenha feito se encontrarem, nem o fato das duas linhas terem sido tortas demais. ou qualquer coisa geometricamente explicável sobre como duas retas perpenciculares ou inclinadas tendem a se tocar.
Talvez, aliás, estivesse mais para o fato de que duas retas paralelas nunca se encontram, e num milagre matemático as suas retas, de tão certas tenham escapado centimetros do perfeito paralelismo e se encontrado no infinito que aqueles tempos foram. TAlvez tenha sido só acaso. Ou destino, ou um plano arquitetado minusciosamente por alguma força maior. Vai saber. Vai entender. o fato foi que os caminhos se encontraram, mas não deram certo. E agora ela vivia a base de uma rotina que ela até gostava, mesmo que tentando encontrar em outros caras os defeitos dele, e ele a esquecendo com uma facilidade estupenda, excluindo-a de seu circulo social, cortando todos os laços remanescentes que os uniam, um por um. Ela só não sabia se toda essa história de ficar só era bom o suficiente, se ela realmente estava se sentindo bem como toda a distancia dele, se toda vez que ela dizia a um amigo qualquer que não sentia mais nada realmente era verdade. Porque , vai saber, as coisas poderiam estar bem até o momento, ela poderia muito bem estar de bem com a vida, com os problemas escolares dela, esquecendo completamente aqueles dias leves de verão no meio de junho, até ve-lo com outra tão mais bonita, tão mais loira, tão mais " veja-como-eu-o-faço-rir-de-um-jeito-que-você-não-fazia" e todos aqueles tempos de filmes e chocolate e pipoca e travesseiros e lágrimas voltariam. Ou ela poderia ve-lo com essa mesma garota dos sonhos (dele) e sentir uma paz por dentro, por tudo o que foi fazer parte de um passado que dificilmente seria presente. Vai saber.

domingo, julho 11

boas memórias

Toda aquela frustração, e todo aquela raiva, e tudo aqui de me enlouquecia de furia, de nojo, de repugnância, passou quando ele me disse que eu o mudei. que ele tinha um coração de pedra que a minha liquidez conseguiu amolecer.
E isso bastou, bastou para toda aquela mascara de " já vai tarde" entrasse em ebulição e levasse a tona aquela moleca com lágrimas nos olhos.
Foi um tempo tão bom, e mesmo quando havia indicios do fim eu planejava ficar mais um pouco, retardar o irremediável, e ficar ali, só pra fazer alguma coisa que o fizesse se lembrar de mim com um sorriso nos labios daqui a alguns anos.
porque quando se sente o fim o que nos resta é isso, não é? isso de querer deixar o máximo de boas recordações na gavetinha da memória do outro. Pra que ele se lembrasse de mim quando alguma coisa boba acontecesse.
Eu tinha esperanças disso, de pertencer aquele cantinho das memórias boas, aquele que poucas coisas conseguem penetrar, porque eu queria ter sido uma coisa boa para ele, mesmo com todos os meus erros, todos os meus vacilos, mesmo que nem todas as vezes o erro tenha sido meu, mas eu tenha dito que foi, só pra evitar mais discussão. Eu queria queria ser uma memória boa, assim como ele foi pra mim.

três gostos

Sabe o que eu guardei daqueles dias? três gostos. o de café, que eu tomava em quantidades cada vez mais doentias por não dormir e por ter a necessidade de me manter acordada. O de pasta de dente que sempre ficava escondido no teu lábio inferior, e o de vodka, que me fez despertar aqueles fantasminhas distraidos dentro dos circulos concentricos que envolvem o meu ser, lembrando que dia após dias as coisas se ajeitam de alguma forma.
Acontece que elas não se ajeitaram. e da maneira mais canalha e porca me forçaram a ver que dentro de tantos eu's, dentro de tantos tu's ninguem ali se casava.
Devo afirmar que eu andava descontinua, medindo cada passo meu para não te machucar, mas acabei machucando, da maneira torta e errada que eu sei fazer as coisas acabei conseguindo o efeito antagonico ao desejado. E acabastes por me machucar mais. No momento de raiva a gente diz o que não deseja, ou o que sente de verdade, e me pedistes para sumir, e eu sumi.
Vou sentir saudades,é verdade. Aqui dentro ainda vai pulsar aquele sentimento de perda, o ciclo vai voltar, vou pensar em te ligar, mas vou me obrigar a esquecer o teu numero. Dessa vez, aliás, tive a coragem e o sangue frio de apagar foto por foto, os teus numeros, de esconder a pelucia, e de trocar de carteira.
Agora, tipo como um imã, as coisas vão passar a acontecer direito, sabe, uma coisa puxa a outra, aquele efeitinho magnético que vai fazer as coisas voltarem a andar no ritmo normal.
OUtra coisa que eu queria ter dito e não disse, é o porque disso tudo ter aocntecido. Acontece que eu não sei ser humilde, não me contenta enfiar goela abaixo as meia verdades puco provaveis que a vida insiste em afirmar, não sei lamber o chão dos palácios , malmente sei bater continencia aos mais superiores nessa hierarquia capenga que eu me encontro.Eu tentei até, mas não rolou. E tentastes fazer isso comigo, tentastes me forçar a entender tuas verdades que eu gritava não entender, e isso que ferrou com tudo. Aqui existe feeling demais.
Agora o que me resta é voltar a ser um saltimbanco qualquer, pra me esquivar das sereias radioativas, dos anjos do apocalipse, dos profetas contaminados e todos esses personagens que caio fernando abreu me alertou, que vão me puxar cada vez mais pra baixo, mas como uma bailarina vou ter que dar uma pirueta bem calculada ao pular por cima deles todos.
E vou seguindo assim, aos trancos e barrancos, me reerguendo, esquecendo o teu semblante que pouco a pouco tende a se tornar rarefeito até não representar mais perigo ou represália.


sábado, julho 10

o que vale a pena

Uma amiga me disse " sabe quando ele aparece na porta da tua casa de surpresa, e te traz um café quente? De quando você está irritada e ele vem te fazer um cafuné sem voce ter que pedir?"
Pra confessar eu não sabia o que era isso. Na verdade, nunca soube o que era muita coisa ( e isso inclui resolver um Log e receber flores na porta do colégio.) e era feliz com o fato de continuar leiga nisso.
Acabou que eu descobri meio que ao acaso essas pequenas coisas. Brigar baixinho, receber uma massagem nas costas no no meio de uma explicação de literatura, ter um ombro pra apoiar a cabeça no meio dos slides de uma aula chata, ter alguém pra segurar aquela pasta pesada que levo todo dia pro colégio.
E acabou que eu achei isso em um lugar que eu passava todos os dias e nunca prestei atenção. Ele estava ali, disposto a aceitar o que eu tivesse a oferecer e eu nunca percebi. E quando percebi, achei um aleto para os meus dias complicados de setembro, cheios de aulas e dores e alegrias e noites mal dormidas e sabados e domingos dilacerados.
E sabe o que mais alegrava? Eu oferecia o que dava, oferecia a minha inconstância, meus conselhos tortos, meus sorrisos as 7:15 da manhã e a minha cara estampando cansaço as 18:40.
Ofereci a minha amizade e ele aceitou lindamente. E posso dizer? Isso valia muito a pena.

sexta-feira, julho 9

morena.

Guri, não sabes do arrepio que me da quando me chamas de morena com esse ar delinquente ou quando te vejo andando pela minha casa como se ela fosse tua também, como se toda tua vida estivesse branca e limpida.
POrque, como outrora eu prometi, eu limpei teus lençóis púidos das paixoes canalhas que você teve, limpei mancha por mancha de amargura que sobrou em ti. E agora me proponho a pintar tuas paredes já desgastadas pelo tempo. A limpar toda sujeira que ficou debaixo do tapete da sala das noites de poker, a lavar todos os copos impregnados de aguardente guardados no armário da cozinha.
Me deixa ser a mulher capaz de por um ponto de interrogação em todos os teus medos escondidos embaixo da cama. Me deixa lavar o teu banheiro de todas as ressacas passadas, passar tuas roupas tantas vezes já amarrotadas, verificar, colarinho por colarinho se estão todos monocromáticos.
Me permite jogar fora as caixas de McDonald esquecidos no banco do teu carro, me permite encher a tua geladeira de comida de verdade, regar o jardim que herdastes da tua mãe que tá quase morrendo. Se quiseres podes até me pedir para por em ordem teus cds a muito bagunçados, para achar aquela calça jeans escuro a muito esquecida, para costurar o pijama preferido furado por um salto alheio , a meia furada, o botão da camisa de gola verde água que eu não gosto.
Deixa eu por em ordem a tua casa, te fazer esquecer de todo o sofrimento que manchou tuas vidraças. Me deixa te deixar limpo da maneira mal e torta que eu sei.
Me deixa ficar aqui, com a tua camisa me servindo de pijama tomando café preto enquanto cantas pra mim colocando coisa por coisa no seu lugar na tua casa -e na tua vida - que estão uma bagunça. Me chama de morena com aquele ar de dengoso. Me deixa por em ordem na tua vida, e depois te oferece a fazer o mesmo por mim.



domingo, julho 4

deve existir um mulher

cara, existe alguma mulher capaz de por um ponto de interrogação em todos os teus medos? Capaz de fazer perderes todos essas tuas neuras infantis de complexo de inferioridade ou qualquer outra coisa assim?
Será que existe mesmo alguém forte o bastante para aguentar todas as tuas exigências? POrque, de verdade, não acho que todos os defeitos aqui sejam meus. Não entendo essa de que eu tenho que mudar e tu podes continuar com todos os teus complexos pra cima de mim.
O problema não é a falta de amor, é o excesso dele. De amor e de desejos maiores, de ambiçoes maiores. Ambiçoes, as nossas, que não se casam em ponto algum. Um quer viver de futebol e a outra, de biologia.
Um tem quase duas decadas e meia nas costas e a outra uma e meia. Um já viveu tudo e mais um poco, outro não sabe de nada. Um sabe todos os reinos, filos e classes, outro sabe toda a tabela da final do futebol. Um tá acostumado com tudo isso e o outro ainda se sente como aquele urso panda novo no zoologico que todo mundo fica olhando.
Há amor, disso não tenho duvidas. Há aquela sensação boa em só enconstar a cabeça no ombro um do outro e ficar ali, sentindo o perfume misturado com todos os odores da boate, de ficar ali, abraçado enquanto bundas rebolativas dançam freneticamente. e quer saber? o tempo podia parar ali, na verdade, nem respirar era preciso mais.
Agora, aconteceu na hora errada, essa é a verdade. Se tivessemos esperado mais ou pouco, ido com mais calma, de repente. Esperado um tempo a mais, e nos encontrado em uma era menos confusa. Talvez o problema realmente seja eu, não vou negar. Mas talvez eu sozinha não devesse ceder.