Nesses dias dei pra pegar os meus cadernos antigos e ver as besteirinhas que eu escrevia no meio das aulas chatas de fisica do segundo ano, e achei
lá, ocupando uma folha inteira em letras de forma " ABSTRAIA!" e fiquei cá pensando com os meu botões que abstrair é uma coisa engraçada.
Ao meu ver, abstrair é quase uma traição, é enaltecer as coisas boas e abnegar as ruins. é meio que subjugar as memórias de uma maneira pré-conceituosa, sabe. Qual o problema das quedas? dos traumas? de tudo o que há de negativo? Errar é esplendoroso, meu caro. Mas fica melhor ainda quando se tem a força e a coragem de erguer a cabeça e tentar de novo. E mesmo que não acerte, continua sendo magnífico. Se aprende com as quedas de uma maneira tal que jamais se aprenderia com os acertos. Quem não erra não vive, quem não se decepciona não aprende, quem não para e pensa " putz, fiz merda" não pode dizer o que realmente significa 'fazer o certo' ,quem não sofre um equívoco não sabe o que é realmente ter a razão, não está no seleto grupo dos que podem se dizer bem entendidos. Até porque, para falar que alguma coisa é boa ou ruim, é preciso conhece-la. e só se pode dizer que o erro é bom ou ruim ao conhece-lo muito bem. E eu vos digo, como quem conhece o erro como quem conhece o próprio guarda-roupas entulhado de camisetas idênticas de cores diferentes, o erro é uma dádiva,proporciona, muitas vezes, a segunda, terceira, quarta, quinta, vigésima chance de fazer as coisas darem certo, é a sacada que poucos tem, mas que quando aprendem, aceitam os infortúnios da vida numa perceptiva melhor.
Tá certo, todo mundo lastima errar, até mesmo esta que vos escreve, ninguém chega "poxa vida, peguei o metrô errado e agora vou parar no centro de uma favela, que pena"com um sorriso no rosto. Mas lhe garanto que dai em diante esse alguém pouco atento passará a prestar atenção nos minuciosos detalhes dos metrôs subsequentes.
O que eu quero dizer é que a longo prazo as desavenças do destino acabam por trazer beneficíos, pequeninas atitudes que nos fazem crescer psicologicamente, etnicamente, intelectualmente e todos os mentes que possamos imaginar. ( ok, exclua da lista o preguiçosamente e todos aqueles que soam estranhos ao contexto)
Em suma, errar é mágico.mantenha isso em mente.