sexta-feira, julho 16

Vai saber.

talvez fosse como um trauma, uma espécie de seleção-natural onde era preciso feri-los antes de ser ferida. Ou, quem sabe, lá dentro ela soubesse que por mais dificil que fosse ir, era infinitamente mais difícil reunir forças para voltar.
Até porque voltar, neste caso, significava escalar aquele muro enorme de orgulho que a circundava, aceitar todos aqueles defeitinhos bobos. Aceitar que as coisas podiam sim, se acertar, e ela teria que dar o braço a torcer.
Ou poderia não ser nada disso, também. Voltar poderia simplesmente significar que ambos abaixaram as armas e os escudos e as armaduras e tal, e resolveram se entender. Tudo poderia ter uma percepção diferente e só ela não via isso, por causa de toda aquela mania de complicar as coisas não complicáveis , de nunca achar que o jeito mais certo é o mais fácil. Até porque poucas coisas na vida são as mais certas por serem as mais fáceis. Mas talvez até fosse isso, sabe. Talvez não tenha sido o algomerados de impossiveis dos dois que os tenha feito se encontrarem, nem o fato das duas linhas terem sido tortas demais. ou qualquer coisa geometricamente explicável sobre como duas retas perpenciculares ou inclinadas tendem a se tocar.
Talvez, aliás, estivesse mais para o fato de que duas retas paralelas nunca se encontram, e num milagre matemático as suas retas, de tão certas tenham escapado centimetros do perfeito paralelismo e se encontrado no infinito que aqueles tempos foram. TAlvez tenha sido só acaso. Ou destino, ou um plano arquitetado minusciosamente por alguma força maior. Vai saber. Vai entender. o fato foi que os caminhos se encontraram, mas não deram certo. E agora ela vivia a base de uma rotina que ela até gostava, mesmo que tentando encontrar em outros caras os defeitos dele, e ele a esquecendo com uma facilidade estupenda, excluindo-a de seu circulo social, cortando todos os laços remanescentes que os uniam, um por um. Ela só não sabia se toda essa história de ficar só era bom o suficiente, se ela realmente estava se sentindo bem como toda a distancia dele, se toda vez que ela dizia a um amigo qualquer que não sentia mais nada realmente era verdade. Porque , vai saber, as coisas poderiam estar bem até o momento, ela poderia muito bem estar de bem com a vida, com os problemas escolares dela, esquecendo completamente aqueles dias leves de verão no meio de junho, até ve-lo com outra tão mais bonita, tão mais loira, tão mais " veja-como-eu-o-faço-rir-de-um-jeito-que-você-não-fazia" e todos aqueles tempos de filmes e chocolate e pipoca e travesseiros e lágrimas voltariam. Ou ela poderia ve-lo com essa mesma garota dos sonhos (dele) e sentir uma paz por dentro, por tudo o que foi fazer parte de um passado que dificilmente seria presente. Vai saber.

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