Até porque voltar, neste caso, significava escalar aquele muro enorme de orgulho que a circundava, aceitar todos aqueles defeitinhos bobos. Aceitar que as coisas podiam sim, se acertar, e ela teria que dar o braço a torcer.
Ou poderia não ser nada disso, também. Voltar poderia simplesmente significar que ambos abaixaram as armas e os escudos e as armaduras e tal, e resolveram se entender. Tudo poderia ter uma percepção diferente e só ela não via isso, por causa de toda aquela mania de complicar as coisas não complicáveis , de nunca achar que o jeito mais certo é o mais fácil. Até porque poucas coisas na vida são as mais certas por serem as mais fáceis. Mas talvez até fosse isso, sabe. Talvez não tenha sido o algomerados de impossiveis dos dois que os tenha feito se encontrarem, nem o fato das duas linhas terem sido tortas demais. ou qualquer coisa geometricamente explicável sobre como duas retas perpenciculares ou inclinadas tendem a se tocar.
Talvez, aliás, estivesse mais para o fato de que duas retas paralelas nunca se encontram, e num milagre matemático as suas retas, de tão certas tenham escapado centimetros do perfeito paralelismo e se encontrado no infinito que aqueles tempos foram. TAlvez tenha sido só acaso. Ou destino, ou um plano arquitetado minusciosamente por alguma força maior. Vai saber. Vai entender. o fato foi que os caminhos se encontraram, mas não deram certo. E agora ela vivia a base de uma rotina que ela até gostava, mesmo que tentando encontrar em outros caras os defeitos dele, e ele a esquecendo com uma facilidade estupenda, excluindo-a de seu circulo social, cortando todos os laços remanescentes que os uniam, um por um. Ela só não sabia se toda essa história de ficar só era bom o suficiente, se ela realmente estava se sentindo bem como toda a distancia dele, se toda vez que ela dizia a um amigo qualquer que não sentia mais nada realmente era verdade. Porque , vai saber, as coisas poderiam estar bem até o momento, ela poderia muito bem estar de bem com a vida, com os problemas escolares dela, esquecendo completamente aqueles dias leves de verão no meio de junho, até ve-lo com outra tão mais bonita, tão mais loira, tão mais " veja-como-eu-o-faço-rir-de-um-jeito-que-você-não-fazia" e todos aqueles tempos de filmes e chocolate e pipoca e travesseiros e lágrimas voltariam. Ou ela poderia ve-lo com essa mesma garota dos sonhos (dele) e sentir uma paz por dentro, por tudo o que foi fazer parte de um passado que dificilmente seria presente. Vai saber.
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