Vez ou outra meus olhinhos voltam a encher d'água e eu corro, afobada, tropeçando nos meus próprios pés e dedos, pro computador digitar umas palavras do jeitinho que elas aparecem na cabeça, na tentativa, meio frustrada, de um afago que nunca chega. Palavra também acalenta coração machucado. ou a gente pensa que acalenta. A gente finge que acalenta.
O que acalenta mesmo é o que nunca vem, e por isso fica ali, pulsando. É a calmaria no peito de tá-tudo-resolvido que não vem. É essa paz por dentro que demora a vir. e quando vem a gente nem percebe de tão devagarinho que é, mas quando se vai, meu bem, é de uma vez e deixa a pele em carne viva, sangrando, ardendo, doendo. E ninguém fica muito ai para sarar. Não tem methiolate, nem aqueles antigos que ardem. Não tem colo de mãe, não tem musica do chico, não tem palavra escrita, lida ou falada, que dê jeito.
O jeito, a gente descobre com o tempo, é sentir cada fisgada ali, sozinha, no luto prematuro de todas as coisas que eram para ter sido, e não foram. Até que uma hora para. ou a gente se acostuma. Nunca soube ao certo.