sexta-feira, dezembro 10

10/12

Tem dias que a gente fica mais sensível. Chora por tudo, se sente aquele biscoito mole que ninguém quer. Vira alvo fácil pra esses sentimentos tristes. E fica assim do nada, Avaliando o rumo engraçado que as coisas levam. No jeito que as coisas acontecem ou teimam em se distanciar da gente. Do jeito que as coisas sao inversamente proporcionais como gostariamos que elas fossem.
Engraçado como o destino gosta de fazer esses jogos, de nos deixar felizes de uma hora pra outra e trazer uma infelicidade na mesma velocidade.
E o mais cômico de tudo é que nem todo mundo gosta de assumir isso.
Sabe aquela bonitona que sempre está com um sorriso estampado? Sabe aquele cara que tem tudo na mão na hora que quer, quando quer? Pois bem, eles, até eles, tem os seus dias de patinho feio, de acordar atrasados, do cabelo insistir em lutar contra a gravidade, de nenhuma roupa ficar bem, de ter vontade de para de fazer o que estiver fazendo e voltar correndo pra cama e rezar pra esse dia acabar.
Ninguém é feliz o tempo todo, ninguém é tão otimista ao ponto de nunca ter pensado no lado negativo de uma coisa qualquer. E ao que parece, temos uma grande dificuldade em admitir isso.
Ser triste é bonito, é humano, é divino. Só quem sabe o que é ter um dia de cão dá o real valor num por do sol bonito que traz paz lá dentro do peito.
E sabe, eu entendi isso quando vi que quando se tem felicidade constante dentro da gente, a gente passa a não valorizar as coisinhas bonitas. Quando só coisas maravilhosas acontecem na nossa vida, sempre queremos mais e mais, e acaba caindo na rotina ser feliz. Acaba se perdendo dentro dessa loucura toda a beleza das pequeninas coisas. E posso dizer? deixar a felicidade cair na rotina é o pior erro. Tristeza e melancolia não tem que ocupar um lugar grande na nossa vida, mas temos que deixa-las penetrar em uma brecha ou outra só pra nos lembrar que isso aqui não é conto de fadas e que depois de toda tempestade, vem a calmaria.

domingo, dezembro 5

05/12

Eu tenho uma amiga. Ela é desse tipo de pessoa que acredita que se deve sentir tudo o que a vida proporciona e que, no final, cedo ou tarde, tudo que a gente sofre vem em dobro.
Ela vivia nessa vidinha mais ou menos. Ocupando todo o tempo livre com qualquer coisa. Evitava ficar só, evitava avaliar o rumo que as coisas tomam. Evitava pensar. Pensar, como já dizia algum poeta que marcavam as apostilas dela, doía. Dava uma melancolia que ela não queria para si.
E eu fui espectadora dessa novela por muito tempo. Espectadora, ombro amigo, companheira de sabados solitários e de outros não tão solitários assim. Fui aquela psicóloga que toda garota precisa ter.
Estive ali, em suma, só para entender como as coisas funcionavam pra ela.
Ela não saia com os caras que pintavam. Não retornava as ligações do bonitinho do 7º andar e passava longe dos caras com cabelos enrolados e cheirando a shampoo que juravam afeto maior que o mundo. Eu achava um desperdício enorme. Ela achava traição.
Nós, apesar de inseparáveis, nunca concordamos nesse ponto. Pra mim, as coisas demoram, mas passam e a vida é bonita demais pra ser esquecida numa marchinha fúnebre de carnaval. Pra ela, as coisas são imutáveis e tudo deve ser sentido com a intensidade que mereçe. Tando na dor, quanto no amor.
Acabou que se passaram dias, meses, semanas.Ela ainda negava o bonitinho do 701 e eu não entendia. doloroso. Ela sabia que tinha, dentro dela, uma cicatriz que ainda doía e que quando o esquecesse, ia ser de vez. Quer dizer, foi assim com os outros.
Muito tempo gostando. Muito tempo sofrendo. Muitas recaidas. Muitas horas avaliando. Muitas vezes se orgulhando por conhece-lo de cor mesmo que tenha esquecido o andar que ele mora. Muitos encontros de despedida que nunca acabavam. Muitas tequilas só pra ter pretexto pra roubar um beijo.
Ela tinha muito disso e demorava a passar. Mas quando passava, meu bem, voltar era um caminho, não impossível, mas muito difícil.
Aconteceu que eu enchi a cabeça dela. Passei finais de semana a fio injetando a idéia que cara qualquer era melhor que as noites de fossa dela. Ela não entendia. Dizia que tava passando, que ia passar, e me tapeava todas as vezes.
E no final, quando ela percebeu que se anulou numa coisa que não fazia o menor sentido, olhou pra mim com os olhos cor de ameixa com lápis em torno dos cílios e rímel meio borrado e disse que eu tinha razão.

domingo, novembro 14

oh yeah.

eu estava lá, na minha, dentro do mundo de apostilas jogadas de qualquer jeito na minha bancada branca e com fórmulas de física rabiscadas de caneta permanente. Eu estava lá, naquela rotina que todo mundo alguma vez na vida deveria passar, lutando pra alcançar um objetivo que eu tinha estabelecido a muito tempo pra mim. No típico e apático casa-colégio-colégio-casa. Passando mais tempo nas salas de aula, e rindo pra não chorar do que nas filas de cinema. Mas eu, apesar de tudo, estava lá. Seguindo sem muita fé, sem muita esperança, mas seguindo. Olhando os outros remarem seus barquinhos, divergindo no caminho, convergindo nos ideais. Mas eu estava lá. Mentalizando a oração de São jorge e lendo cada vez mais compulsoriamente Caio Fernando Abreu. rabiscando " relaxa baby e flui. barquinho na correnteza, Deus dará". é.

Conclusão.

Cheguei a satisfatória conclusão que não se gosta de alguém pelo o que a pessoa é, e sim pelo que ela representa.
Não se gosta de alguém pelas qualidades, pelo perfume 212 sexy man que ela usa. Não se gosta de alguém pelo cabelo penteado, por ela nunca deixar uma conta de água vencer, pelos genes numericamente perfeitos ou pelas veias pulando nos braços por conta da musculação. Amor não é gostar de qualidades, é se encantar pelos defeitos. Até porque se fosse assim, de se apaixonar pelas qualidades de alguém, os bom samaritanos da vida teriam fila de espera, e os cafajestes morreriam sozinhos. E todos sabemos que as coisas não são bem assim
Veja bem, você não gosta do cara. Você gosta da imagem que o seu inconsciente tem dele. É, é tudo uma fantasia do inconsciente.É duro admitir, mas ele não é tão bonito assim, nem é tão educado e não passa 25 horas por dia pensando nas suas madeixas. É só alguma coisa lá dentro de ti gosta de acreditar nisso, meio que camuflar os defeitos, pra dar a impressão que o que te fisgou foram as qualidades, quando não foram, até porque elas nem existem. O que não faz esses fatos sejam mais ou menos verdade.
A realidade é mesmo assim, minha cara. A gente gosta e sofre e imagina e idealiza e ensaia frases feitas antes de dormir pra alguém que, pouco a pouco, se mostra não tão legal, nem tão perfeito. Mas ai a gente nem liga. Se descobre fascinada pelos defeitos bobos e deixa eles ali, coexistindo com os nossos próprios defeitos bobos que o cara também suporta.
E, por mais que as coisas estejam difíceis, que tudo esteja desandando, que a linha que os unia esteja definhando,se chega a conclusão que, se é difícil continuar juntos, pior ainda é separados.
E tem mais: se gosta de alguém pela primeira vista. Você tá lá, de bobeira, olhando para os ponteiros do relógio de ouro no pulso na fila do mcdonalds enquanto a atendente espera o pedido de um cara indeciso e olha pro lado.. BOOM. você viu um cara bonitinho e era o fim dos sábados em casa com pijamas e doce de leite. Diga oi para a sua nova vida de cinemas e idas ao clube nas quintas de manhã.
Ou não.
Sabe, essas coisas são complicadas. E depois de uns três tombos, uns 4 tapas na cara e algumas noites fugindo de um cara legal qualquer, você descobre que pra alguém começar a gostar de você, você tem que se gostar primeiro. E tem que, definitivamente, parar de pensar. Pensar, como já diziam, faz as coisas complicarem. Só viva, exista, faça as pessoas sentirem sua falta e sinta falta também,e não guarde isso pra si. Não procure por defeitos, muito menos por qualidades. Busque por caracteristas e só depois analise se você pode ou não conviver com elas.

domingo, outubro 10

Metalinguistico

Pra mim, atrás de todo grande texto existe uma pessoa bem pequena. Porque o que se escreve é grande, é pra enaltecer. Porém, é o que não se conhece direito, o que faz o escritor não ser aquele herói todo. Ele só tem um dom de reorganizar de uma forma conveniente e bonita aquilo que não sente nem conhece .
Um covarde falando com muita intimidade sobre coragem.
Falar sobre o que podia ter sido e não foi, mesmo sabendo que se tivesse sido ou cogitado a possibilidade, não traria conforto.
Escrever tudo o que aconteceu, tudo o que se sente, toda a tristeza e mágoa é pra diário, é pra martelar na cabeça como aquela música chata. O que se vive não se publica. Não se escreve pro outro saber o que se passou ou o que incomoda.
Se escreve para o teatro, pelo mundo de faz de conta que isso envolve, sobre o que se conhece na teoria, e não na prática. Se escreve todos os "se" que brotarem, desde que eles não envolvam desejos pessoais. Afinal, pra que sentir se é tão mais bonito escrever?

Não escrevo tudo o que sinto, tampouco sinto absolutamente tudo o que escrevo. Porque sentir as coisas é importante, mas a inveja mora logo ao lado e mesmo que seja importante fazer propaganda do que se sente, é arriscado demais.
Não pense que é falta de alguma coisa. É justo o inverso. É que as coisas acontecem. As revoluções pequeninhas acontecem aqui dentro e dá um medo enorme de contar pra todo mundo e ver essas linhas de felicidade e boas vibrações se quebrarem.
Sem contar que a infelicidade, mesmo sendo questão de prefixo, te dá um leque de possibilidades muito maior do que a felicidade. É muito mais literário transcrever uma tristeza, uma saudade inexistente do que uma felicidade que é contínua dentro da gente. Felicidade todo mundo sabe como é: é inexplicável. E tudo que é inexplicável, quando a gente tenta explicar, fica piegas demais. É o equilíbrio, e pra falar do equilíbrio se atravessa uma linha muito tênue. Cair, tangenciar é mais fácil. A tristeza não, dá pra comparar, dá pra transformar em palavras aquela dor no fundinho do peito. E mesmo assim, quando não dá, ainda se resta valer da imaginação de cada um. A margem do desequilíbrio é uma calçada larga enquanto a do equilíbrio é uma linha de nada . Quando se escreve algo bonito, não agrada sempre, felicidade é facultativo, é individual. Mas é só escrever alguma coisa um pouco triste que atinge a todo mundo.
Em suma meu caro, essas coisas de sentimento são coisas bem sérias. e escrever sobre elas, mesmo que não se saiba as suas definições com exatidão, são bem mais sadias do que escrever sobre a confusão inexplicável que se passa aqui dentro.

quarta-feira, outubro 6

porque eu não fiquei.

Eu poderia ter ficado. Poderia ter apostado as minhas poucas fichas nessa história prematura e com prazo de validade pré-definido e sem prorrogação.
Eu podia ter feito muita coisa por ti. Por mim. Por nós e por essa loucura toda.
Podia ter te ligado nas minhas noites solitárias de insônia e te perguntado qualquer conceito sem definição do meu caderno. Eu podia ter arquitetado planos e rotas de fuga pra te ver, e seria uma fugitiva feliz. Podia roubar uma blusa querida tua e vesti-la quando sentisse saudades, só porque ela teria a tua forma e teu cheiro impressos. Mas eu sei que essas saudades não chegariam.
Há amor, meu amigo, mas isso não é grande nem resistente o suficiente para nos manter erguidos. Eu tentei fazer com que fosse, mas não foi.
Mas eu estarei aqui, imutável, aos trancos e barrancos, apesar dos pesares. Aqui, imutável ao teu lado, mas longe o bastante para não te privar de nada. Até porque não há o que privar.
Sinto, mas minhas migalhas que restam são poucas, muito poucas para serem somadas as tuas virtudes. E eu, fraca demais perante toda a tua força e vontade.
Desculpe, meu amigo, por ter saido do jogo quando vinhas para apostar tudo e ganhar, mesmo eu sabendo que aqui, tua vitória seria a minha vitória também.
Perdoe-me ter posto tanta expectativa, tanta esperança em algo que não tinha condições de crescer.
Mas saiba que, mesmo que tortamente, eu vim. Eu fiquei até o ponto que eu pude, mas o contrato prematuro anunciava que era tarde e passava das 6. A sanidade partia as sete e sem hora pra voltar. E eu não queria que ninguém me visse insana. Nem tu.
Eu parto, meu amigo, com o coração, a alma e a coragem na mão. Deixando manchado de quentes lágrimas o teu ombro só pra te recordar desse tempo. Para selar em um lugar bonito da memória e do coração esse ano que passou.
Eu parto te deixando aqui, meu amigo. Com o teu carinho e honestidade , com o peito aberto não por maldade, mas por necessidade.
Necessidade de saber que vou te poupar das decepções. Que a minha inconstância não vai mais te ferir.
Mas mesmo assim, " quem não é visto, não é lembrado" e eu quero te lembrar para que me lembres naqueles dias que tudo dá errado.
E que, meu amigo, sempre vai ter uma cuia, erva mate e um fim de tarde pra gente se encontrar.

domingo, outubro 3

sobre eternidade.

- Sabe o que eu nunca entendi nessas histórias que vocês contam pras menininhas?
Ele disse em um tom pouco interessado.
Ela levantou os olhos em direção a ele e quase borrando a unha pintada de roxo opaco deu um sorriso de canto.
- Não, o que?
- Essa história de ' e foram felizes para sempre'. Esse para sempre não existe, e vocês colocam na cabeça da menina aos 6 anos que ele existe.
- Sabe, isso é uma questão de acreditar. Pra mim ele existe.
- Ora, faça-me o favor. Se tudo é para sempre, quer dizer que você é imortal.
Ele disse revirando os olhos.
Ela deu uma gargalhada
- E sou. Até que me provem o contrário.
- Tudo bem senhora imortal.
ele disse rindo. Os olhos castanhos iluminados pela luz monocromática da sala de estar a fitavam com pouco interesse, mas encorajando-a de continuar.
- Sabe, sou daquele tipo de gente que acha que nada na vida é momentâneo. Pra mim tudo é arquitetado minusciosamente e não é feito para terminar logo. E que sim, tudo é eterno. Mutável, porém eterno.
Ela voltou seus olhos e atenção para a cuticula que teimava em arruinar o esmalte perfeito.
Ele pendeu a cabeça pro lado direito. Recolheu um pedaço de algodão que dançava sob o chão e começou a brincar com ele.
Um sorriso foi formado enquanto ele olhava para ela.
- Continua.
o vidrinho do esmalte ficou preso entre os joelhos dobrados dela enquanto o palitinho de madeira era usado para facilitar a gesticulação.
- Te lembra quando algum cara disse que a energia não pode ser criada, só transformada? O mesmo princípio se aplica. Você não deixa de gostar de uma pessoa e passa a ser neutro, tipo a Suiça. Você deixa de gostar de alguém, parte disso é dissipada e outra parte vira potência útil para outra coisa nascer dali, seja ódio, indiferença, amizade ou qualquer outra coisa. E isso faz com que nada se acabe, só se transforme.
Ele parecia ter gostado do exemplo. Ficou fitando-a por uns 15 segundos.
Enquanto isso ela passava óleo secante nas unhas e listava o cabelo a ser feito e a roupa a ser separada e passada.
- Tudo é eterno, nada tem fim e você é imortal. Faz sentido agora
ele disse em um tom entediado, quebrando o silencio que seria absoluto se não fosse pelo uivo do vento na janela.
- O que faz sentido?
Ele não respondeu.
Ela entendeu o que ele queria. E de repente nada tinha mais a ver com eternidade ou contos para crianças de 7 anos. Aquela conversa iria demorar. Ela fechou o esmalte, o guardou na bolsa preta pequena com o palitinho de madeira e se sentou novamente ao lado dele.
- Tudo bem, diga-me, o que você quer conversar, de verdade.
- O que? - ele fingiu surpresa.
- Vamos, te conheço o bastante pra saber que só querias preparar o terreno. Algo te incomoda. Teu olhar sereno me diz isso.
-Olha, não quero que você pense que eu armei tudo isso, mas já que você tocou no assunto...

quinta-feira, setembro 30

e se.

Me ocorreu a hipótese de, talvez, eu não ser a guria certa para ele. Dele estar, de repente, perdendo as madrugadas, as fichas, a paciência comigo, enquanto a verdadeira garota certa estava por ai, se envolvendo com caras pouco confiáveis, só esperando ele chegar para salva-la dessa vida de decadência. Ou talvez ela esteja em casa assistindo lost pela trigésima vez, só esperando que ele entre na vida dela de um jeito pouco provável. Vai saber.
Porque, não é assim que as coisas funcionam? Tu vives uma vidinha bem mais ou menos, vai pros barzinhos da vida até que um dia em meio á batida ensurdecedora de uma boate qualquer tu olhas pro lado e vê a guria que casa contigo em todos os teus atos?
Bom, se não é assim, esse é um dos meios.
O que eu quero dizer é que talvez eu esteja aqui só pra preencher um espaço vazio necessário dentro dele. Tentando, mesmo que inutilmente, mesclar o passado dele no meu futuro caleidoscópio. Me deixando arquitetar planos pra que as coisas façam sentido dessa vez.
O melhor jeito de duas pessoas se encontrarem é uma delas estando parada, já dizia o ditado e o dono do blog que eu vivo lendo. Mas também é certo que duas pessoas estáticas demais nunca vão convergir na sua provavel vida pacata. O fato é que nos encontramos no meio de um momento dinâmico e o que eu penso é que a nossa dinâmica vai divergir até nos pontos que nos convergem.
Em suma, essas coisas de sentimento tem um jeito engraçado de acontecer. Tu nunca sabes se estás no trilho. Se estás falando, fazendo e estando no lugar certo. Se não estás ocupando o lugar de outra alma que agora está por ai perdida.
E se não for teu lugar ali? E se tu estivesse muito melhor sozinha? E são esses ' e se' que fazem 'os cabelos, assim como as idéias, amanhecerem encaracolados.'

segunda-feira, setembro 27

Porque é difícil te negar.

É extremamente difícil te negar alguma coisa quando me olhas com essa cara de criança que quer o brinquedo caro da loja. É complicado manter firme a voz quando vens com esse timbre de quem acabou de acordar. Quando pegas na minha nuca e diz que é pra eu parar de besteira, que quer sussurrar que me adora no pé do meu ouvido. É difícil conter o riso quando dizes que eu sou inteligente ao resolver aquela continha besta de matemática e quando canta jorge ben jor pra mim.
É, moreno. é difícil te negar o meu sorriso de canto de boca quando rabiscas uma frase do Caio Fernando Abreu no canto do meu caderno, só porque sabes que eu suspiro com as frases dele. É surreal ter que ficar séria mediante as tuas mensagens as 3 da manhã dizendo que madrugada nenhuma tem graça se eu não estiver por perto.
E é por isso que eu te tenho aqui, intocável, ao meu redor por todo esse tempo. Mesmo que seja tudo uma falsidade ideológica da tua parte só pra me manter aqui. Mesmo que faças e fales tanto com o único intuito de cultivar uma guria enamorada por ti. Mesmo que seja tudo isso mesmo que me fales, ou que não seja nada. Me fazes permanecer aqui, suportando tudo por ti e pra ti. Tudo isso porque insistes em dizer que eu pareço um bichinho quando acordo com o cabelo todo bagunçado. Tudo isso porque não sei criar inimizade mesmo quando vens com as tuas grosserias, teus ciúmes e teus preceitos pra cima de mim.
Teu perfume tá aqui, moreno, na minha mão esquerda enquanto a direita pensa se atende o teu telefonema ou não. Se te dá uma chance de voltar ou se me permite te negar alguma coisa pelo menos uma vez na vida.
E eu te digo, é por isso que é tão dificil te dizer ' não'. Nem pra assistir pela terceira vez o mesmo filme no cinema. Nem pro jantar chato com a familia. Nem pra comer sanduiche quando eu desejava um sushi. Nem pro jantar a dois quando eu te pedia uma boate lotada. Nem pra me deixar assistir uma aula inteira sem o celular gritando teu nome. Nem pra nada.
O telefone ainda tá aqui, tocando. Na telinha do aparelho celular tuas mensagens pedem pra eu te responder. Mas não qualquer coisa. Anseiam a resposta manhosa que eu sempre dou. Aquele ' vem aqui, bora se dar mais uma chance mais uma vez. ' de sempre.
É moreno, te dizer não é complicado. E é mais fácil te deixar voltar. Não, não é por ser extremamente mais cômodo remendar o que se rasgou com o ex do que costurar um vestido novo com um outro cara. Não é preguiça de construir um nova casa. To voltando ( ou te deixando voltar, como queira) por conta daquele pacto de se apaixonar todos os dias pelo mesmo cara que toda moleca faz alguma vez na vida.
Vai, pega teu carro e vem aqui. Pega um filme que eu compro pipoca e refrigerante no mercadinho aqui do lado, que a gente volta a ser pelo menos 1/3 do que fomos antes.


segunda-feira, setembro 20

be happy

Esse não é um textinho melancólico pra te fazer pensar. Esse não é um textinho pra machucar o coração. Esse, aliás, nem é um textinho que fale sobre essas coisas do coração.
Na verdade é mais sobre aquelas coisas que acontecem com todo mundo: Compartilhar a felicidade. Porque alguém já dizia " não existe felicidade sem fazer merchandising do que se está vivendo" e é essa a verdade. Quando algo bom acontece, a gente precisa compartilhar, esse é um princípio humano.
As coisas podem até não estar dando tão certo, uma coisa ou outra pode não ter acontecido do jeito que eu gostaria, as minhas notas talvez nem estejam tão boas assim... Mas uma paz interior tá reinando aqui dentro, e eu não sei até quando ela vai ser soberana.
Chega uma hora que você deixa de ser capaz de suportar tudo o que suas costas doloridas, cheias de escolioses brandas, aguentam todo dia.E é ai que a ' mágica' do negócio acontece. É. É tipo aquele 'click' que se ouve no pé do ouvido. Você está ali, sentado, curtindo uma ressaca num domingo de manhã e pronto, as coisas parecem estar mais felizes do nada.
Papai disse que isso é a auto-realização que chega, mais cedo ou mais tarde. O padre que eu me confessei disse que isso é a luz do Espírito Santo com a intersecção de Nossa Senhora Desatadora dos Nós que iluminou a minha vida. O porteiro crente do meu prédio disse que foi o demônio que saiu de mim. A coordenadora do colégio falou que era a proximidade com as provas que deixam nosso humor mudar constantemente. Mamãe disse que era o fim da TPM e o meu irmão disse que isso só foi por causa da caixa de chocolates que eu devorei escondida na noite anterior.
Eu prefiro acreditar que foram as boas vibrações que resolveram chegar até mim. Sei lá, talvez em alguma outra galáxia distante da Via láctea algum ser pluricelular desejou muito que esse grãozinho de areia que eu sou tivesse uns dias leves, felizes.
E é o que se passa. Minha mãe grita pra eu tomar meu leite quente quando chego da aula. Eu faço as minhas palavras cruzadas antes de dormir, escrevo escondida e leio meus resumos pregados na parede do quarto. Meu irmão joga nintendo wii escondido do papai e não faz os deveres de casa. O papai toma a sua caipirinha sozinho as sextas e tudo fica em paz.
É, tem uma hora que a gente cresce, descobre pelo que vale a pena correr atrás, pelas amizades que fazem valer a pena lugar, e as coisas que fazem valer cada lágrima desperdiçada. Desperdiçar o tempo não, porque quando a gente gasta tempo com algo que gosta, não é perda de tempo. Mas que seja. É uma sensação boa sabe. E sensações boas assim merecem ser divididas com todo mundo. Pra provar que pra qualquer garota com pele, osso, sangue e entre eles uma camada cada vez maior de gordura pode sim ser feliz sem motivos e não conseguir levar tudo isso pro papel. Isso é o lance das coisas, o curso natural, tanto faz. É ser feliz só de olhar o sol se pondo ou descobrir que tem um sorvete de flocos com calda de chocolate te esperando de sobremesa do jantar.
É estou feliz, e pela primeira vez é por causa de mim. Das minhas pequeninas conquistas e percepções; por aquelas coisinhas que se luta tanto e quando menos espera, se conquista.

domingo, setembro 19

sobre sábados a noite.

Ela desceu do carro prata, ajeitou a blusa e foi em direção a porta de uma casa alternativa que a muito tempo ela não entrava.
Onze e vinte gritando no relógio no pulso esquerdo, no direito uma pulseirinha de ouro.
Quatro argolas douradas nas orelhas que o cabelo moreno escondia. Um copo plástico de cerveja de 500 ml numa mão e halls vermelhos na outra. A carteira de identidade anunciando 19 anos no mesmo bolso do celular e do dinheiro. O cheiro de cigarro irritava a alergia sensível dela, a musica não era das suas preferidas. Ela não ligava.
Entrou na casa com seus amigos. Sentados em uma mesinha de madeira, acharam graça dos nomes sugestivos dos drinks. Viraram uma tequila com batatinha frita. Uma, duas... subiram para ver a banda tocar. Tentaram cantar musicas que não sabiam a letra. Inventaram refroes e se balançavam de olhos fechados nas baladinhas- melancólicas. Riram do vocalista de moletom naquele calor. Ganharam um cd promocional no sorteio e o amigo realizou o sonho de subir no palco.
Meia noite e cinquenta. O celular não tocou. Ela se olhou no espelho do banheiro e fez um coque. Os anéis de cabelo caindo sobre os olhos. Típico.
Se sentou no bar. Alguns caras se aproximaram enquanto o amigo não voltava. Ela quase rosnava para qualquer um que chegasse, incluindo o cara de blusa rosa que lhe ofereceu uma bebida.
O chão começou a parecer mais consistente, o salto começou a incomodar e as paredes pararam de rodar. As idéias, assim como os cabelos, começaram a aparecer enrolados.
Aquelas caraminholas começaram a surgir em feixes inconstantes de pensamento, igual a essas tirinhas do jornal: curtas e diretas.
Não era saudade, não era submissão nem vassalagem. Era uma solidão. Dessas meio tristes, que fez com que ela se sentasse numa cadeira avulsa qualquer e pensasse. No rumo que a vida dela tem levado. Nos amigos cada vez mais distantes. Em como os olhos sempre expressivos dela agora só expressavam o seu cansaço de descaso com tudo em volta. A verdade é que ela perdeu aquele brilho, e isso nao tinha nada a ver com o fato de estar só.
Tá , na verdade até que tinha a ver com perder a capacidade de achar algo que a alegrasse nesses ultimos tempos, mas não tinha a ver, necessariamente com o fato de estar só. Tinha a ver com a cobrança que ela sofria violentamente nesses últimos tempos. Tinha a ver com o medo do que esperava por ela daqui a 4 meses. E tinha a ver com os caras que davam em cima dela também, talvez.
Tinha uma possibilidade de ser a saudade de alguma coisa que nunca existiu, mas ela sempre achou essa historia de sentir saudades do que nunca existiu vaga demais , então preferia descartar essa possibilidade.
Talvez fosse tudo isso junto, ou não fosse nada.
Quem sabe eram só os hormonios a flor da pele, nessa montanha-russa transcedental que era a adolescencia- e que ela rezava para não acabar nunca.



sábado, setembro 18

caras legais que aparecem

Conheci um cara legal hoje. Ele tinha 1,75 e um sotaque engraçado. Calçava tenis brancos e usava camisa azul bebe, da mesma cor que a minha carteira e a cor das minhas unhas naquela noite de sabado. O seu cabelo era batidinho e preto. Acho que se o deixasse crescer combinaria com o rosto de criança que ele tinha..
Ele seguiu todas as regras direitinho: Me pagou uma bebida quando me viu encostada no balcão, elogiou minha blusa branca.
Depois da 2ª dose de qualquer coisa, disse que meu sorriso era bonito e que minhas olheiras davam um ar de intelectual e de despojada ao mesmo tempo, tipo essas meninas que nunca tem nada a perder. Mas retirou essa parte quando olhou fundo nos meus olhos e viu toda a infantilidade por tras deles.
Ele não espichou o olho pra saber quem era quando o meu telefone tocou. Disse que eu era a mais bonita da festa e que nossos celulares eram iguais.
Ele tinha aquele perfume bom que fica empregnado na nossa pele.
Me chamou pra dançar e segurou forte na minha cintura, deixando uns seguros 5 centrimetros entre nós.
Quando eu disse que ia embora me ofereceu carona e refez o pedido quando percebeu a minha dificuldade em achar um taxi naquela hora da manhã. Me acompanhou até a saida, me deu um beijo no canto da boca e anotou o meu numero no antebraço de caneta permanente. Acenou quando eu fechei a porta do carro branco e mandou uma mensagem de boa noite duas horas depois.
No dia seguinte fomos ao cinema. Ele pagou a minha entrada e dividimos a pipoca. Rimos das pessoas na fila. Ele me explicava as partes do filme que ele já sabia de cor com aquela voz de "temos todo o tempo do mundo". Me levou para casa, me explicou quimica mesmo tento passado pela escola á uma coleção de anos. Chamou meus pais de senhor e senhora. Beijou minha testa ao se despedir ás 1 da manhã. Uma hora depois deixou na caixa de mensagens do celular, com aquela voz de criança com sono " só pra te desejar boa noite, Morena."

baseado em uma conversa de msn

- Novidade ou decepção?
- o que?
- to namorando. E ai, achas que isso é uma novidade ou uma decepção?
Ela olhou com uma cara confusa
-Como estares namorando pode ser uma decepção? É uma novidade, sem duvidas, e uma novidade muito boa! eu fico feliz por ti.
Ela abriu aquele sorriso de sempre. Mostrando os dentes da frente e apertando os olhos até ficarem com proporçoes orientais
-É, todo mundo me diz isso. Mas não sei se eu tô fazendo a coisa certa sabe, Anne..
- Como namorar pode ser a coisa errada? Não gostas dela, é isso?
- Não é que eu não goste.. É só que eu não sei se eu gosto dela o suficiente pra namorar, entende?
- Sabe, Anthony, nem todos os casais começam completamente apaixonados. Alguns deles nem se gostam no começo do namoro. Mas o amor, a necessidade de se ver, surgem com o tempo..
-E se não surgir? Não tenho experiencia com isso. Bem, você sabe como ninguém que estar namorando não faz parte do meu cotidiano..
- É, eu sei. E se não nascer nada, voces terminam. Namoror não é pra casar, Anthony. É pra tentar arranjar um pouquinho de felicidade ao lado de alguém, e só.
- é, talvez seja isso mesmo.

Ela não entendia isso. Todos tinham uma necessidade de estar com alguém da mesma forma que tinham medo de se engajar. E isso era confuso. Na verdade, todos procuravam enlouquecedoramente um par e quando encontravam, tinham tantas duvidas e tanto medo de fazer algo errado e se preocupavam tanto em estar no caminho certo que se esqueciam que a melhor coisa de todas era não pensar em nada. Deixar as coisas fluirem pro caminho que elas tomam naturalmente, e só. Sem mistérios, sem segredos, sem fórmulas mágicas, sem cartomantes dizendo em tom de gozação o que o futuro lhe reserva. Sem noites chorosas sob o edredom . Ela era pró-felicidade. Pró noites de sabado deitados no sofá assistindo filmes alugados. Pró dia das garotas pintando as unhas e falando mal dos outros. Pró dia no shopping com a mãe e a avó.Pró noites descomplicadas. E não entendia porque todos não eram assim também.

terça-feira, setembro 14

monólogo 1

(...) Enquanto isso eu espero aqui tu abaixares essas armas e escudos que te cercam e ergueres a bandeira branca da nossa paz.
Porque agora eu tinha todo o tempo do mundo. Tenho tido muitos dias felizes, quietinhos, calados, mas felizes. E aquela saudade que queimava por dentro se extinguiu com o tempo.
Veja bem, a cicatriz ainda está aqui, mas a gente só vê um futuro bonito na frente quando esquece o passado. E eu fui adiante quando superei os erros que cometi e tirei de mim tudo o que me machucava por dentro.
Agora era aquela saudade bonita de levar, que tinha o cheiro de manhã de verão quando a gente acorda bem cedinho pra ir ver o mar da janela do apartamento.
Ainda era saudade, mesmo que agora me fizesse bem. E como toda boa saudade, dói um pouco.

sábado, setembro 11

O que resta

- Tu te lembras da gente tomando sorvete no inverno?
- lembro, Anne
- E da caixinha de musica? E daquele almoço de sábado que eu deixei cair o prato no restaurante e tu brigaste comigo? Te lembras?
- Me lembro, me lembro. Lembro de tudo o que a tua memória puder recordar. E mais um pouco, até.
Ela ficou parada, digerindo a idéia dele ainda se lembrar de tudo o que ela pensou que ele tivesse esquecido. Deixou uma fenda se formar entre os lábios rosados.
Ficaram ali, olhando o nada por uma coleção de minutos. Com um estalo, ela começou a falar:
- É bom ouvir isso de ti. Quer dizer que eu entrei naquele lado da memória que só as coisas realmente boas entram
-você é uma memória boa pra mim. - ele falou baixinho
- Sabe o que dizem? Que quando permitimos que alguém entre lá, no cantinho das boas memórias, estamos fadados a lembrar dela pra sempre
-E que belo fado esse meu,de te recordar pra sempre.

Anne deu um beijo na ponta do nariz dele, o olhou com aqueles olhos castanhos pequenos, deu um sorriso que era capaz de mostrar o estado da sua alma e saiu correndo para o parque. O seu vestido branco e curto esfumaçando ao seu redor.
Ele ficou lá, sentado na grama que não era tão verde. Não conseguiu conter o sorriso que se formou involuntariamente no canto dos lábios, ficou pensando em Anne.
Talvez ela não fosse ainda tão bonita, talvez não esteja mais saindo aos sábados nem indo a manicure toda semana.A pele estava meio descuidada, e o cabelo curto não caiu tão bem nela
Mas, apesar de tudo, Anne era feliz.

baseado em um fato - quase- real.

No ápice da minha solidão, desci até a mercearia barata do japonês vizinho e comprei um vinho. Abri a porta meio pensa do apartamento, joguei a roupa de um jeito qualquer sob o sofá bege de mau-gosto que mal e porcamente decorava aquele quarto sujo de hotel.
Liguei a água quente da banheira branca retangular, me deitei ali naquela água que fervia enquanto o frio de 2 graus queimava do lado de fora da minha janela do 10º andar.
Tomei aquele vinho chileno comprado com pesos, trocados na casa de cambio da esquina, e chorei.
Aquele choro baixinho, resignado, concentrado, comportado, que faz todo o rímel e lápis de olho borrarem. Sentindo os olhos irem se enchendo de água, e desaguando rumo ao meu peito imerso na água e solidão.
Perdoe-me o pleonasmo, mas eu chorei um choro que era de dar dó em qualquer coração de pedra. Que ninguém jamais supôs que iria existir, tampouco soube da sua existencia. Aquele que só a gente fica sabendo e ponto final.
Horas e horas ali, sentindo cada parte do corpo ir enrugando, virando taça após taça do que outrora fora um convidativo vinho tinto... E que agora era motivo de repulsa, para se lembrar de tudo o que foi feito, de todas as forças gastas em algo que não levou em nada.
E não pense que estou me referindo a um único ramo da minha vida. Estou me referindo a todos eles. A todas as imperfeições daquela vidinha meia boca que eu tenho levado nesses ultimos anos.
Não há culpado nessa história, só o engraçado rumo que as coisas levam, de nada estar suficiente, e de cada vez mais sentir que, mesmo com todo o esforço, mesmo com todas as madrugadas perdidas, não se chegará a alugar algum.
É triste e batido, mas chorar realmente lava a alma. Tira do peito tudo aquilo que impregnava, enchia de mofo e rancor uma coisa que tinha de tudo pra ser linda.
É triste, meu caro, mas quem sabe ali, depois de toda aquela sessão de martírio as coisas começassem a fazer algum sentido e aquele tempo constantemente nublado dentro de mim começasse a clarear..

amostra gratis

Ultimamente tenho me contentado com o muito pouco-quase-nada que tem me oferecido.
Aquelas migalhinhas de qualquer-coisa que sempre me ofereciam e eu, receosa, negava. Hoje vejo que aceita-las é bem mais sensato do que esperar por algo mais complexo bater na minha porta.
Aceitar que são essas pequenas coisas, essas amostras grátis de sentimentos, de matar uma aula ou outra pra ir tomar um sorvete, esses jantares surpresa num sábado a noite sem a perspectiva de se ver no dia seguinte, sem ficar esperando uma mensagem as 3 da manhã anunciando saudade são sim bem mais saudáveis do que aquela cobrança toda.
No final das contas, uma janelinha dentro da gente acaba abrindo e mostrando que é isso que realmente vale a pena. Viver a base do deixa-a-vida-me-levar ( vida, leva eu) do Zeca pagodinho. Ou o you only live once, tanto faz.
Acontece que não criar expectativas é tão mais libertador. Porque mesmo que nada aconteça não existe frustração. Porque não se esperava nada de nada mesmo.
Acho mesmo que essa é uma das coisas que a gente só aprende assim, do nada. Um dia tu acreditas que as coisas tem que ser todas perfeitinhas, tem que tem um jeito todo especial de acontecer, e se não for do jeito que se planeja, tens o direito de ficar de cara emburrada. Mas na verdade, não planejar nada que é o certo. Mesmo que saia uma coisa bem pequeninhinha no lugar de uma grandiosa, acabas saindo no lucro.

segunda-feira, setembro 6

falsidade ideológica.

ela suava nas mãos, a blusa cinza colada no corpo a lembrava que o sol de meio dia castigava. Ela andava tão rápido, revendo mentalmente tudo o que iria dizer. A ruga que marcava a testa dela camuflava a leveza que ela sentia naquele momento.
Ela abriu as portas de metal do predio dele, caminhou lentamente, com um ligeiro sorriso no canto inferior dos lábios e entrou no elevador social. O mesmo elevador que ela tentava desmembrar de tanta coisa boa. Repensou no diálogo já formulado na cabeça antes de apertar na campainha.
- O que voce faz aqui?
- Diz que você não sente saudades minhas, não me ama mais, que eu sumo de uma vez da tua vida.
- Mas o...que? você tá ficando louca só pode..
- Louca ou não, só me diz isso. não te amo, não sinto saudades.
- Pra que? escuta aqui, eu sei que foi tudo meio confuso..
- Confuso ou não, não vem ao caso. Voce quer que eu vá embora, não quer? só me diz essas duas coisas.
- Olha, viestes aqui só pra me pedir isso?
ele revirou os olhos e tentou fechar a porta, mas ela colocou o seu pé, calçado com uma havaiana rosa, no vão da porta com a parede
- Só diz isso. Que não me ama e que não sente saudades, que eu saio da tua casa, da tua vida, como se eu nunca tivesse existido.
- Você é perturbada.
- Sim, eu sou
- Você é doente
-Sim, talvez eu também o seja.
Ela também era forte, e ele sabia disso
- Eu não preciso disso...
-Eu sei, mas eu preciso. só diga
-Escuta aqui...
_ só diz.
- Olha só, quero entender o teu propósito com isso.
- Te esquecer. ouvir da tua boca que eu não sou mais nada pra ti.
- Você é louca. Já te falaram isso? Voce quer o que, que eu diga que te ame e ainda sinto saudades e volte correndo pra você? as coisas não funcionam assim, Anne. Você não tem tudo o que quer nas mãos.
- Você percebeu o que eu pedi? só pedi pra você falar que não me ama e não sente saudades. não que você volte pra mim.
- Pois bem, não te amo, não sinto saudades.
- Obrigada
Ela deu aquele sorriso que era capaz de desarmar um exército. Nada podia lutar contra ele. Virou de costas, puxou a porta do elevador e saiu para as ruas da cidade, exalando satisfação.
Ela atravessou a rua, e sentiu o celular vibrar no bolso traseiro do shorts jeans rasgados.
" Eu te amo, sinto a tua falta, me perdoa."
E toda aquela armadura que ambos vestiam caiu. Talvez, era isso que ela quisesse de verdade. Que mesmo que ele negasse diante dela, soubesse que lá dentro de alguma gaveta bagunçada dele, ele também não a esqueceu.

Veja bem.

Não importa se é o certo, ou o errado. importa que é o que eu sei fazer com as armas que eu tenho, e é só isso. Sem duplas intençoes, sem jogatinas do destino.
E não me venha com essa de " voce traiu todos os seus ideais" até porque eu nunca tive ideal nenhum. Veja bem, eu não deixei de lutar pelas coisas que pouco a pouco eu fui construindo com as minhas mãos a muito calejadas. Eu nunca tive ideal nenhum e as coisas que eu construi, bem, foram por pura sorte. Acaso, seja lá o que for.
Que coisa mais individualista, eu só estava aqui era pra salvar a minha vida e o sopro de felicidade que ainda restava aqui. Eu só queria me manter aqui, inteira, sem ter que, necessariamente, lutar com afinco por algo.
Olha, pra ser sincera, eu queria mesmo era não esperar nada de nada. Não manter falsas esperanças sobre coisas que muito dificilmente aconteceriam. E se, caso acontecessem, teriam uma grande chance de acontecerem de um jeito bem mal feito.
Digo, preservar esperanças e anseios e todo esse resto é importante e tal.
Mas não foram poucas as pessoas que me disseram que " a gente precisa de algo concreto para se segurar" E eu rebati. Só me seguro naquilo que realmente for meu. Só no que eu puder dizer, com o peito aberto, que eu conquistei a duras custas. Graças a minha perseverança. Graças a minha boa vontade. E que eu sei que, por eu ter conquistado, vai se manter aqui comigo.
Sinto, mas até esses relacionamentos mundanos são assim as vezes. Amor também enche de erva daninha, já dizia o poeta. E o mesmo principio se aplica a todo o resto. Não são todos, vou admitir. Existem aqueles que se formam, e ficam pra sempre ali, existindo, coexistindo com algo mais forte, ou mais fraco. Mas existe relacionamentos que não dão em nada.
E a gente se apega
E a gente se desespera
E a gente chora
E a gente sente saudade
E a gente acaba por deixar os melhores momentos das nossas vidas baterem na nossa porta e, cansados, irem embora. Tudo por causa dessa história de manter as idéias e ideais e não trai-los. E não mudar de ideologia. E sempre pensar se isso é o certo ou o errado. Veja bem, não é um caso de estar certo ou errado, é o caso de fazer aquilo que vai melhorar as coisas.
Faça-me o favor. You only live once. Pra que desperdiçar tantas células e tantos genes e todo o resto com coisas que não te levam a lugar nenhum?

quinta-feira, julho 22

Abstraia!

Nesses dias dei pra pegar os meus cadernos antigos e ver as besteirinhas que eu escrevia no meio das aulas chatas de fisica do segundo ano, e achei
lá, ocupando uma folha inteira em letras de forma " ABSTRAIA!" e fiquei cá pensando com os meu botões que abstrair é uma coisa engraçada.
Ao meu ver, abstrair é quase uma traição, é enaltecer as coisas boas e abnegar as ruins. é meio que subjugar as memórias de uma maneira pré-conceituosa, sabe. Qual o problema das quedas? dos traumas? de tudo o que há de negativo? Errar é esplendoroso, meu caro. Mas fica melhor ainda quando se tem a força e a coragem de erguer a cabeça e tentar de novo. E mesmo que não acerte, continua sendo magnífico. Se aprende com as quedas de uma maneira tal que jamais se aprenderia com os acertos. Quem não erra não vive, quem não se decepciona não aprende, quem não para e pensa " putz, fiz merda" não pode dizer o que realmente significa 'fazer o certo' ,quem não sofre um equívoco não sabe o que é realmente ter a razão, não está no seleto grupo dos que podem se dizer bem entendidos. Até porque, para falar que alguma coisa é boa ou ruim, é preciso conhece-la. e só se pode dizer que o erro é bom ou ruim ao conhece-lo muito bem. E eu vos digo, como quem conhece o erro como quem conhece o próprio guarda-roupas entulhado de camisetas idênticas de cores diferentes, o erro é uma dádiva,proporciona, muitas vezes, a segunda, terceira, quarta, quinta, vigésima chance de fazer as coisas darem certo, é a sacada que poucos tem, mas que quando aprendem, aceitam os infortúnios da vida numa perceptiva melhor.
Tá certo, todo mundo lastima errar, até mesmo esta que vos escreve, ninguém chega "poxa vida, peguei o metrô errado e agora vou parar no centro de uma favela, que pena"com um sorriso no rosto. Mas lhe garanto que dai em diante esse alguém pouco atento passará a prestar atenção nos minuciosos detalhes dos metrôs subsequentes.
O que eu quero dizer é que a longo prazo as desavenças do destino acabam por trazer beneficíos, pequeninas atitudes que nos fazem crescer psicologicamente, etnicamente, intelectualmente e todos os mentes que possamos imaginar. ( ok, exclua da lista o preguiçosamente e todos aqueles que soam estranhos ao contexto)
Em suma, errar é mágico.mantenha isso em mente.

sexta-feira, julho 16

Vai saber.

talvez fosse como um trauma, uma espécie de seleção-natural onde era preciso feri-los antes de ser ferida. Ou, quem sabe, lá dentro ela soubesse que por mais dificil que fosse ir, era infinitamente mais difícil reunir forças para voltar.
Até porque voltar, neste caso, significava escalar aquele muro enorme de orgulho que a circundava, aceitar todos aqueles defeitinhos bobos. Aceitar que as coisas podiam sim, se acertar, e ela teria que dar o braço a torcer.
Ou poderia não ser nada disso, também. Voltar poderia simplesmente significar que ambos abaixaram as armas e os escudos e as armaduras e tal, e resolveram se entender. Tudo poderia ter uma percepção diferente e só ela não via isso, por causa de toda aquela mania de complicar as coisas não complicáveis , de nunca achar que o jeito mais certo é o mais fácil. Até porque poucas coisas na vida são as mais certas por serem as mais fáceis. Mas talvez até fosse isso, sabe. Talvez não tenha sido o algomerados de impossiveis dos dois que os tenha feito se encontrarem, nem o fato das duas linhas terem sido tortas demais. ou qualquer coisa geometricamente explicável sobre como duas retas perpenciculares ou inclinadas tendem a se tocar.
Talvez, aliás, estivesse mais para o fato de que duas retas paralelas nunca se encontram, e num milagre matemático as suas retas, de tão certas tenham escapado centimetros do perfeito paralelismo e se encontrado no infinito que aqueles tempos foram. TAlvez tenha sido só acaso. Ou destino, ou um plano arquitetado minusciosamente por alguma força maior. Vai saber. Vai entender. o fato foi que os caminhos se encontraram, mas não deram certo. E agora ela vivia a base de uma rotina que ela até gostava, mesmo que tentando encontrar em outros caras os defeitos dele, e ele a esquecendo com uma facilidade estupenda, excluindo-a de seu circulo social, cortando todos os laços remanescentes que os uniam, um por um. Ela só não sabia se toda essa história de ficar só era bom o suficiente, se ela realmente estava se sentindo bem como toda a distancia dele, se toda vez que ela dizia a um amigo qualquer que não sentia mais nada realmente era verdade. Porque , vai saber, as coisas poderiam estar bem até o momento, ela poderia muito bem estar de bem com a vida, com os problemas escolares dela, esquecendo completamente aqueles dias leves de verão no meio de junho, até ve-lo com outra tão mais bonita, tão mais loira, tão mais " veja-como-eu-o-faço-rir-de-um-jeito-que-você-não-fazia" e todos aqueles tempos de filmes e chocolate e pipoca e travesseiros e lágrimas voltariam. Ou ela poderia ve-lo com essa mesma garota dos sonhos (dele) e sentir uma paz por dentro, por tudo o que foi fazer parte de um passado que dificilmente seria presente. Vai saber.

domingo, julho 11

boas memórias

Toda aquela frustração, e todo aquela raiva, e tudo aqui de me enlouquecia de furia, de nojo, de repugnância, passou quando ele me disse que eu o mudei. que ele tinha um coração de pedra que a minha liquidez conseguiu amolecer.
E isso bastou, bastou para toda aquela mascara de " já vai tarde" entrasse em ebulição e levasse a tona aquela moleca com lágrimas nos olhos.
Foi um tempo tão bom, e mesmo quando havia indicios do fim eu planejava ficar mais um pouco, retardar o irremediável, e ficar ali, só pra fazer alguma coisa que o fizesse se lembrar de mim com um sorriso nos labios daqui a alguns anos.
porque quando se sente o fim o que nos resta é isso, não é? isso de querer deixar o máximo de boas recordações na gavetinha da memória do outro. Pra que ele se lembrasse de mim quando alguma coisa boba acontecesse.
Eu tinha esperanças disso, de pertencer aquele cantinho das memórias boas, aquele que poucas coisas conseguem penetrar, porque eu queria ter sido uma coisa boa para ele, mesmo com todos os meus erros, todos os meus vacilos, mesmo que nem todas as vezes o erro tenha sido meu, mas eu tenha dito que foi, só pra evitar mais discussão. Eu queria queria ser uma memória boa, assim como ele foi pra mim.

três gostos

Sabe o que eu guardei daqueles dias? três gostos. o de café, que eu tomava em quantidades cada vez mais doentias por não dormir e por ter a necessidade de me manter acordada. O de pasta de dente que sempre ficava escondido no teu lábio inferior, e o de vodka, que me fez despertar aqueles fantasminhas distraidos dentro dos circulos concentricos que envolvem o meu ser, lembrando que dia após dias as coisas se ajeitam de alguma forma.
Acontece que elas não se ajeitaram. e da maneira mais canalha e porca me forçaram a ver que dentro de tantos eu's, dentro de tantos tu's ninguem ali se casava.
Devo afirmar que eu andava descontinua, medindo cada passo meu para não te machucar, mas acabei machucando, da maneira torta e errada que eu sei fazer as coisas acabei conseguindo o efeito antagonico ao desejado. E acabastes por me machucar mais. No momento de raiva a gente diz o que não deseja, ou o que sente de verdade, e me pedistes para sumir, e eu sumi.
Vou sentir saudades,é verdade. Aqui dentro ainda vai pulsar aquele sentimento de perda, o ciclo vai voltar, vou pensar em te ligar, mas vou me obrigar a esquecer o teu numero. Dessa vez, aliás, tive a coragem e o sangue frio de apagar foto por foto, os teus numeros, de esconder a pelucia, e de trocar de carteira.
Agora, tipo como um imã, as coisas vão passar a acontecer direito, sabe, uma coisa puxa a outra, aquele efeitinho magnético que vai fazer as coisas voltarem a andar no ritmo normal.
OUtra coisa que eu queria ter dito e não disse, é o porque disso tudo ter aocntecido. Acontece que eu não sei ser humilde, não me contenta enfiar goela abaixo as meia verdades puco provaveis que a vida insiste em afirmar, não sei lamber o chão dos palácios , malmente sei bater continencia aos mais superiores nessa hierarquia capenga que eu me encontro.Eu tentei até, mas não rolou. E tentastes fazer isso comigo, tentastes me forçar a entender tuas verdades que eu gritava não entender, e isso que ferrou com tudo. Aqui existe feeling demais.
Agora o que me resta é voltar a ser um saltimbanco qualquer, pra me esquivar das sereias radioativas, dos anjos do apocalipse, dos profetas contaminados e todos esses personagens que caio fernando abreu me alertou, que vão me puxar cada vez mais pra baixo, mas como uma bailarina vou ter que dar uma pirueta bem calculada ao pular por cima deles todos.
E vou seguindo assim, aos trancos e barrancos, me reerguendo, esquecendo o teu semblante que pouco a pouco tende a se tornar rarefeito até não representar mais perigo ou represália.


sábado, julho 10

o que vale a pena

Uma amiga me disse " sabe quando ele aparece na porta da tua casa de surpresa, e te traz um café quente? De quando você está irritada e ele vem te fazer um cafuné sem voce ter que pedir?"
Pra confessar eu não sabia o que era isso. Na verdade, nunca soube o que era muita coisa ( e isso inclui resolver um Log e receber flores na porta do colégio.) e era feliz com o fato de continuar leiga nisso.
Acabou que eu descobri meio que ao acaso essas pequenas coisas. Brigar baixinho, receber uma massagem nas costas no no meio de uma explicação de literatura, ter um ombro pra apoiar a cabeça no meio dos slides de uma aula chata, ter alguém pra segurar aquela pasta pesada que levo todo dia pro colégio.
E acabou que eu achei isso em um lugar que eu passava todos os dias e nunca prestei atenção. Ele estava ali, disposto a aceitar o que eu tivesse a oferecer e eu nunca percebi. E quando percebi, achei um aleto para os meus dias complicados de setembro, cheios de aulas e dores e alegrias e noites mal dormidas e sabados e domingos dilacerados.
E sabe o que mais alegrava? Eu oferecia o que dava, oferecia a minha inconstância, meus conselhos tortos, meus sorrisos as 7:15 da manhã e a minha cara estampando cansaço as 18:40.
Ofereci a minha amizade e ele aceitou lindamente. E posso dizer? Isso valia muito a pena.

sexta-feira, julho 9

morena.

Guri, não sabes do arrepio que me da quando me chamas de morena com esse ar delinquente ou quando te vejo andando pela minha casa como se ela fosse tua também, como se toda tua vida estivesse branca e limpida.
POrque, como outrora eu prometi, eu limpei teus lençóis púidos das paixoes canalhas que você teve, limpei mancha por mancha de amargura que sobrou em ti. E agora me proponho a pintar tuas paredes já desgastadas pelo tempo. A limpar toda sujeira que ficou debaixo do tapete da sala das noites de poker, a lavar todos os copos impregnados de aguardente guardados no armário da cozinha.
Me deixa ser a mulher capaz de por um ponto de interrogação em todos os teus medos escondidos embaixo da cama. Me deixa lavar o teu banheiro de todas as ressacas passadas, passar tuas roupas tantas vezes já amarrotadas, verificar, colarinho por colarinho se estão todos monocromáticos.
Me permite jogar fora as caixas de McDonald esquecidos no banco do teu carro, me permite encher a tua geladeira de comida de verdade, regar o jardim que herdastes da tua mãe que tá quase morrendo. Se quiseres podes até me pedir para por em ordem teus cds a muito bagunçados, para achar aquela calça jeans escuro a muito esquecida, para costurar o pijama preferido furado por um salto alheio , a meia furada, o botão da camisa de gola verde água que eu não gosto.
Deixa eu por em ordem a tua casa, te fazer esquecer de todo o sofrimento que manchou tuas vidraças. Me deixa te deixar limpo da maneira mal e torta que eu sei.
Me deixa ficar aqui, com a tua camisa me servindo de pijama tomando café preto enquanto cantas pra mim colocando coisa por coisa no seu lugar na tua casa -e na tua vida - que estão uma bagunça. Me chama de morena com aquele ar de dengoso. Me deixa por em ordem na tua vida, e depois te oferece a fazer o mesmo por mim.



domingo, julho 4

deve existir um mulher

cara, existe alguma mulher capaz de por um ponto de interrogação em todos os teus medos? Capaz de fazer perderes todos essas tuas neuras infantis de complexo de inferioridade ou qualquer outra coisa assim?
Será que existe mesmo alguém forte o bastante para aguentar todas as tuas exigências? POrque, de verdade, não acho que todos os defeitos aqui sejam meus. Não entendo essa de que eu tenho que mudar e tu podes continuar com todos os teus complexos pra cima de mim.
O problema não é a falta de amor, é o excesso dele. De amor e de desejos maiores, de ambiçoes maiores. Ambiçoes, as nossas, que não se casam em ponto algum. Um quer viver de futebol e a outra, de biologia.
Um tem quase duas decadas e meia nas costas e a outra uma e meia. Um já viveu tudo e mais um poco, outro não sabe de nada. Um sabe todos os reinos, filos e classes, outro sabe toda a tabela da final do futebol. Um tá acostumado com tudo isso e o outro ainda se sente como aquele urso panda novo no zoologico que todo mundo fica olhando.
Há amor, disso não tenho duvidas. Há aquela sensação boa em só enconstar a cabeça no ombro um do outro e ficar ali, sentindo o perfume misturado com todos os odores da boate, de ficar ali, abraçado enquanto bundas rebolativas dançam freneticamente. e quer saber? o tempo podia parar ali, na verdade, nem respirar era preciso mais.
Agora, aconteceu na hora errada, essa é a verdade. Se tivessemos esperado mais ou pouco, ido com mais calma, de repente. Esperado um tempo a mais, e nos encontrado em uma era menos confusa. Talvez o problema realmente seja eu, não vou negar. Mas talvez eu sozinha não devesse ceder.

domingo, junho 27

olho por olho, dente por dente..

E o mundo acabará cego.. e desdentado.
Hoje colocaram em duvida uma das frases- verdades- universais, aquela de que " a vingança é um prato que se come frio". De verdade, fico besta com a quantidade de pessoas que leva isso a sério. Na verdade não tão a sério essa historia de esperar para chegar a hora certa de se vingar, mas pelo simples fato de se vingar.
Imagino se todo mundo, o tempo todo, pusesse isso em prática. A melhor amiga te traiu? conta pra mãe dela as merdas que ela fez. O namorado te trocou por outra? Fica com o melhor amigo dele, e dai pra baixo. Isso soa tão retrocesso. ( sei, eu gosto mesmo da palavra retrocesso.) Tão volta aos tempos dos bárbaros. E sei lá, a troco de que? Do simples fato de ter se vingado? Não acho que as coisas devessem funcionar assim.
Tá, não dá pra se fazer de submisso sempre, tem que ter aquela maldade em alguns atos, mas em todos é sacanagem. É burrice, é só ver o seu lado quando o lado oposto grita por compreensão.
Nem todo mundo consegue manter a compostura 100% do tempo, ninguem consegue manter a integridade fisica, moral, o auto controle o tempo todo.
Todo mundo erra, e julgar soa presunçoso demais.

sábado, junho 26

falsas amizades.

Me ocorreu agora que talvez as pessoas nunca se importem verdadeiramente com o que acontece na vida dos outros. Elas, de repente, gostem de manter amizades por perto para contar o que acontece na vida DELAS, para contas os feitos, as conquistas e como elas sempre fazem as coisas da melhor maneira possível. Exemplificando, voce conta para a sua amiga como voce está mal por, sei lá, seu peixinho dourado recém adquirido ter morrido. Ao invés dela dizer que peixinhos dourados morrem com uma frenquencia absurda e que, por ele ser recente e voces não terem criado laços afetivos, você poderia perfeitamente ir na praça e comprar outro, ela começa a falar que o peixinho dourado dela também morreu por falta de comida, e que ela foi até a praça e comprou um peixinho novo, mas dessa vez um peixe beta, que tem mais utilidades que um peixinho dourado por conta de toda aquela historia dele se abrir todo quando a gente coloca um espelho na frente dele e tudo mais e que voce é meio bestinha por ficar mal por um peixe, já que peixes existem ao monte.
Ou seja, ela não está ali para te apoiar quando voce está em um momento dificil, na verdade ela não éstá ali para te apoiar em momento algum- só nos momentos que voce faz alguma burrada e que ela quer se passar por A inteligente, ou A safa, e começa a dizer como ela teria agido na situação, só pra te mostrar como esse tipo de coisa nunca acontece com ela, e se acontece, ela facilmente retoma as redeas da situação de novo.
Pode ser que eu esteja critica demais com o mundo, ou esteja exigindo demais das pessoas que me rodeiam, mas amizades assim estao por todos os lados e eu de verdade, me cansei delas.

sexta-feira, junho 25

!

As coisa são simplesmente o que são. E quando algo tem que ser, ah meu bem, o destino contorce tudo. Todas as verdades absolutas se colocam em dúvida para que ele aconteça.
Se algo tem que ser, o universo inteiro conspira a seu favor. É realmente cômico o modo como tudo é milimetricamente calculado para dar certo, para fazer dar certo.
'Deus não joga dados' e esse é o impressionante da vida.

estranhamento

Eu queria fazer algum tipo de sentido. Queria que de vez em quando, ou até mesmo de vez em nunca, que meu atos se casassem. As vezes chega a ser nítido o estranhamento de alguns sobre o que eu sinto. A aparente - e crescente- dúvida que elas tem se tudo o que eu sinto é real, quero dizer, Se eu realmente sinto o que eu grito sentir. E o pior de tudo é que eu sinto. E talvez sinta até demais. Porque, de verdade, tem horas que toda aquela historia de " para-que-sentir-se-é-tão-belo-dizer?" não parece ser real o suficiente pra mim.
Sinto, mas sei que é verídico o fato de que eu busco demais a anomalia, essa historia de sair da normalidade, do stand-by. E É isso que choca. É o desejar fazer algo para chamar atenção.. mas não dos outros. Na verdade é para chamar a minha atenção, para relembrar que aqui dentro existe sangue, ossos, veias, artérias, e entre eles uma camada absurda de triacilglirol.. Só pelo puro divertimento de chacoalhar as coisas aqui dentro e que eu veja que, de verdade eu não perco nada.
O fato é que não se deve gritar sua felicidade, angustia, ou qualquer outro sentimento derivados para alguém, a não ser para si mesmo. Para que cada célula do seu corpo saiba que os globulos que ali correm não estão ali por acaso. É mais para sentir que exatamente tudo valeu a pena, E jamais se arrepender. Nem pensar ' e se'. Não há tempo para isso, minha cara. Vez por outra pode não haver o orgulho dos atos, mas arrependimento não. Ele não me leva a lugar algum, a não ser ao fundo do poço, ao retrocesso. E, francamente, eu não estou aqui para me agarrar em algo que não me leve adiante.

quinta-feira, junho 24

carta a ninguem

Há quem diga que tudo isso tenha acontecido por mera carência de minha parte. Talvez até tenha sido, sabe. Todo mundo precisa de alguém ao seu lado, principalmente quando nunca se experimentou nada de serio durante 16 anos, essa é a verdade.
E eu, como de costume, tive a brilhante idéia de que isso tudo podia estar certo. Mesmo com as tuas necessidades, mesmo com a minha falta de tempo, mesmo com a diferença e a incompatibilidade de pensamentos. Nada é impossível, na verdade.
Lá no fundo o que eu queria mesmo era poder provar para mim mesma que eu poderia sim juntar todos as migalhas que sobraram de mim ao longo desses anos com as tuas partes de sentimentos destroçados e fazer um inteiro. Que falsidade essa a minha, que ingenuidade pensar que iamos sobreviver as tentações e pressões externas.
E agora eu sinto o teu perfume no meu quarto, mesmo que você nunca tenha entrado lá, te sinto sentado nas cadeiras empilhadas da minha sacada mesmo com a tua ausência aparente. Te sinto, veja só, na mesa da cozinha, me vendo comer, dizendo que o kani e o morango com chocolate em calda são exóticos demais para ti enquanto negava a minha mãe qualquer coisa com a desculpa esfarrapada de que iria passar no mc donalds quando saisse daqui. Te sinto na cadeira da lanchonete nos dias depois da aula que reinvento a tua presença esperando minha mãe chegar para me levar pra casa.
É meu caro, meu erro foi querer crer que daríamos certo, que faríamos dar certo.Mas todo esse futuro não chegou, simples assim. E agora é cada vez mais dificil anular a necessidade de te ver, anular a curiosidade de saber se ainda acorda cedo só pra ver os jogos da copa, se cortou mais ainda o cabelo e se continua a malhar.
No final, toda essa vontade de ser a garota certa, de te fazer suar nas maos, de tentar- mesmo que inultimente- te fazer mudar, de voltar a ser o garoto de 16, 17, 18 anos que fostes, de te fazer sentir saudades, ciumes, insegurança e desejo meio que foram em vão, e é isso que mais me dói.



terça-feira, junho 22

!

Era um relacionamento que quebrava todas as regras dos bons costumes, bons métodos e bons meios. Ela era infantil e ele adulto demais, havia discrepâncias de atitudes, pensamentos e ambições.
Na verdade tinham quase tudo para dar errado, ele tinha uns defeitos que ela não suportava e ela não tinha tempo algum para suprir as necessidades dele.
As amigas dela não aprovavam e ele enlouquecia com isso. Mas eles se amavam, e esse pequeno fato fazia tudo ter sentido.

quinta-feira, junho 17

As coisas tem um jeito tão injusto, tão feio de nos mostrar que estamos no caminho errado. A gente se dedica tanto a uma coisa e nunca parece ser o suficiente. E olha que isso nem é a terrivel mania humana de ser sempre insatisfeito. O mundo faz questão de esfregar na nossa cara, e da maneira mais dolorosa possivel, que nao estamos fazendo a nossa parte direito.
Quer passar no vestibular, perde dias, noites, festas, horas de sono, peso e sanidade estudando, e quando vê o resultado, vê que ficou no 232º lugar de um curso que é menos concorrido que o seu.
Desculpe a expressão chula, mas é uma puta sacanagem isso, isso de exigir de um adolescente de 16 anos que ele saiba tudo de tudo pra uma prova. Coisas que NUNCA vamos precisar usar, ao menos que num dialogo comum se pergunte se o inseto vetor da doença de chagas é amastigota ou promastigota ou se o lado positivo de uma pilha é o anodo ou o cátodo. PELO AMOR DE DEUS, pra que eu vou usar isso alguma vez na minha vida?
' Na guerra chamada vestibular, nós somos as guerreiras' já dizia uma amiga minha no inicio do meu ensino médio. Uma verdadeira batalha, isso que é. Onde são concertados conhecimentos inuteis em uma cabeça em formação. Ganha quem conseguir sobreviver a pressão, ao desespero, á necessidade de passar em algum curso, em alguma faculdade.
É ridiculo. É desesperador, e ninguem se importa com isso.
Já dizia meu pai a muito tempo atrás " se eu não te falar como as coisas são, a vida vai te ensinar, e acredite que aprender com ela é mais doloroso." E bote fé, isso que aconteceu. A vida ensina e de um jeito muito tosco que a teoria da evolução de Darwin é veridica: que só sobrevivem os mais fortes ou mais bem adaptados, caso contrario você dança. Assim como eu to dançando.

quarta-feira, junho 16

retrocesso

depois de mil e quinhentos blogs criados, e mil e quinhentas senhas esquecidas, cá estou eu.

Me intriga realmente como tanta coisa muda em tão pouco tempo. Sei lá, to num momento retrocesso muito grande, uma nostalgia incrivel. É isso tudo de 'voce-está-no-convenio' que acaba com tudo. É, de verdade, um ano que ja começou dando MUITAS saudades, e tá correndo, e muito. Ontem era janeiro, tava todo mundo super feliz, e do nada BUM! estamos em agosto. E todo mundo tá enlouquecendo. E todo mundo tá se distanciando.
É,porque agora foram embora pra nunca mais voltar os finais de aula na subway com todo mundo, e as reunioes de sabado, e a ressaca de domingo. Os depoimentos com 1024 caracteres falando que todo mundo era muito importante e tudo mais. Era um tempo muito bom, sabe. Acordar as 3 da tarde do sábado, dizer " ei pai, vou pro predio dos meninos" e só voltar de noite. Era bom, todo mundo era amigo, acontencia tanta coisa ou nao acontecia nada, nem tinha problema, nao tinha esse negocio de "final-do-ano-está-chegando" e eu costumava ser uma pessoa mais coerente. E eu costumava escrever mais.
Nao vou negar que eu tinha as minhas crises com muito mais frequencia, mas até disso eu sinto falta. Era realmente bom ter todo mundo perto de mim, e agora foi cada um pra um canto. e eu to me sentindo muito perdida.
Sei lá, todo mundo dizia que o convenio era o melhor ano da vida de todo mundo e eu nao to vendo isso. Que azar o meu. Tá, tem muita coisa boa acontecendo, é verdade. mUita coisa que eu nunca pensei que fosse acontecer, aconteceu. Mas posso falar? eu esperava mais.