quinta-feira, junho 24

carta a ninguem

Há quem diga que tudo isso tenha acontecido por mera carência de minha parte. Talvez até tenha sido, sabe. Todo mundo precisa de alguém ao seu lado, principalmente quando nunca se experimentou nada de serio durante 16 anos, essa é a verdade.
E eu, como de costume, tive a brilhante idéia de que isso tudo podia estar certo. Mesmo com as tuas necessidades, mesmo com a minha falta de tempo, mesmo com a diferença e a incompatibilidade de pensamentos. Nada é impossível, na verdade.
Lá no fundo o que eu queria mesmo era poder provar para mim mesma que eu poderia sim juntar todos as migalhas que sobraram de mim ao longo desses anos com as tuas partes de sentimentos destroçados e fazer um inteiro. Que falsidade essa a minha, que ingenuidade pensar que iamos sobreviver as tentações e pressões externas.
E agora eu sinto o teu perfume no meu quarto, mesmo que você nunca tenha entrado lá, te sinto sentado nas cadeiras empilhadas da minha sacada mesmo com a tua ausência aparente. Te sinto, veja só, na mesa da cozinha, me vendo comer, dizendo que o kani e o morango com chocolate em calda são exóticos demais para ti enquanto negava a minha mãe qualquer coisa com a desculpa esfarrapada de que iria passar no mc donalds quando saisse daqui. Te sinto na cadeira da lanchonete nos dias depois da aula que reinvento a tua presença esperando minha mãe chegar para me levar pra casa.
É meu caro, meu erro foi querer crer que daríamos certo, que faríamos dar certo.Mas todo esse futuro não chegou, simples assim. E agora é cada vez mais dificil anular a necessidade de te ver, anular a curiosidade de saber se ainda acorda cedo só pra ver os jogos da copa, se cortou mais ainda o cabelo e se continua a malhar.
No final, toda essa vontade de ser a garota certa, de te fazer suar nas maos, de tentar- mesmo que inultimente- te fazer mudar, de voltar a ser o garoto de 16, 17, 18 anos que fostes, de te fazer sentir saudades, ciumes, insegurança e desejo meio que foram em vão, e é isso que mais me dói.



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