sexta-feira, setembro 14

Diário de uma fossa.

Sempre me disseram que a gente tem que apontar pra fé e remar. Mas nunca disseram o quanto remar sozinho dói, ainda mais quando a gente ja teve alguem pra dividir as dores.
Hoje é o primeiro dia que eu to remando só pra minha fé depois de um ano tendo um cara pra remar comigo. Nao eramos perfeitos, nao eramos desses casais que se completam como feijao com arroz. Nossa coexistencia gerava infinitos atritos e discussoes. Nao concordavamos em muita coisa e estavamos pouco dispostos a mudar um pelo outro.  Mas estavamos juntos, afinal. Quando tinha tempestade a gente se abraçava e rezava junto pro mundo nao acabar num diluvio. Quando tava muito sol a gente se abanava  pra amenizar o calor. Entende, a gente tava junto ali, mesmo com todas as dificuldades e a distancia e a ausencia.
Mas ai quando a distancia é demais a tranquilidade padece. Eu nao dispunha de mais tempo e ele nao dispunha de mais artificios pra me provar que ainda se importava- por mais que hoje eu saiba que ele se importasse demais, e só tinha aquele complexo de voce-é-muito-ocupada-e-eu-vou-te-atrapalhar. 
Entao muito civilizadamene sentamos cara a cara e choramos. E choramos e choramos e por Deus, nos filmes é lindo ver um casal chorando quando o amor só nao consegue mais unir os dois mas na realidade dói, e como dói. Dói nas nossas entranhas ver quem a gente gosta chorando pela gente. Dói ver quem a gente ama chorando tanto por alguém, dá uma vontade surreal de ir la, abraça-lo, beija-lo e prometer que tudo vai ficar bem. Mas como abraçar e beijar quando é a gente que tá causando essa dor? Como prometer qe vai ficar tudo bem quando a gente sabe que na nossa pele também vai doer a saudade? Como a gente vai prometer uma coisa que a gente sabe que vai demorar tanto pra acontecer? 
Dá uma vontade de voltar lá correndo e se ajoelhar e pedir pra voltar e que tudo vai ficar bem e que a gente muda, muda tudo sim, porque nao? tudo pra essa dorzinha no nosso peito passar. Mas do que adiantaria? a gente vai e volta e fica bem e depois a rotina vem e nos surpreende de novo e a gente percebe que só esteve posterando o fim. 
A gente se prometeu ser amigo apesar de tudo. Sabe, mas quem garante? é fácil ser amigo do nosso ex de dois meses, mas como faz pra olhar só como amigo quem foi o nosso porto seguro por tanto tempo? Como faz com a vontade de ir pro cinema de maos dadas toda vez que se falar de algum filme? como faz, meu Deus, pra chama-lo pelo nome e não pelos apelidinhos que se colecionam ao longo desse um ano?
Nao sei como as coisas vao ser daqui pra frente. É fácil terminar com um cara que faz merda, que trai, que enche a cara e nos humilha na frente dos amigos. A gente termina porque fica com raiva e é facil superar quem a gente tem raiva. É facil temrinar quando simplesmente acaba o amor, é fácil, muito fácil. agora como faz pra terminar com quem a gente ainda gosta? Como faz pra apagar todas as fotos e todas as legendas que a gente pensou em por. Como faz pra esquecer quem ainda ainda se importa  e a gente sabe que ainda se importa com a gente?
Dói lá no fundinho do peito saber que os finais de semana vao ser mais vazios. Amigos, farra, outros caras, pra quê se o unico que importa agora tá longe? vai ser foda...

terça-feira, maio 22

Das rédeas.

Acho que o nosso problema é que eu deixei tomares as rédeas de tudo. Eu nao devia. eu nao podia ter errado assim. Te deixei saber de coisas que eu mais devia era ter guardado pra mim. Te tanto ter tantos caras cheios de duvidas, tentei anular teus pontos de interrogacao, tentei te dar certeza de tudo. Todos os outros caras Me diziam que comigo nao ia dar certo porque eu nao colocava exclamação em canto nenhum. Deixava tudo subentendido, escondidinho debaixo do tapete. Contigo eu tinha tanto medo de errar que escancarei todas as verdades.  Eu nao queria que sentisses medo comigo. Eu queria ser tua fortaleza. Tua melhor amiga. Tua confidente. Te deixei saber de tudo e quando começastes a saber de tudo tivestes a certeza que eu nao te trocaria. Porque te trocaria? Eu dizia e demonstrava e gritava e lotava a tua caixa de entrada com todas as certezas da minha vida. Com tantas convicções assim porque irias temer Me perder? E nao temestes. E nao temes. Porque sabes que Me tens. Quando eu te vejo eu sei que Me tens.  E agora nao lutas mais pra ter o que já conquistastes. Acontece que é so fechares a porta pros fantasminhas do desanimo me rondarem e todos os teus defeitos virem a tona. Porque eu só consigo guardar pra mim?  Burra. Burra. Burra. Tomastes as rédeas. Agora eu que vivo questionando sobre a veracidade de tudo. E Me fazes de gato e sapato. E eu odeio ser feita de gato e sapato. Mas o que se há de fazer quando Me olhas com esses teus olhos pequenos bem fundo dos meus olhos também pequenos e ficamos ali nos encarando, tentando decifrar o que o outro esta pensando? Eu, de tanto te dar certezas Me enchi de duvidas e agora é sempre assim. Eu engulo seco o meu choro e meu grito porque ninguém ira o escutar. Eu guardo pra mim todas as coisinhas bestas, todas as dores miúdas que Me acompanham. Nao compartilho. Nao da pra compartilhar nada quando eu olho pros teus olhinhos miúdos que estão  Me encarando também.  Aí eu vou levando essa ciranda corrosiva ate onde eu puder. E quando eu nao puder mais levar essa dança eu vou partir como tantos outros de mim partiram. E nao vais nunca saber dos meus motivos. Estavas ocupado demais se acomodando com as minhas certezas que nunca se questionastes sobre os meus silêncios. Sobre as minhas fugas. Nunca se preocupastes em entender as minhas entrelinhas. Porque como de herança, é só lá que eu escancaro as minhas verdadeiras verdades. É pequeno, dessas meio verdades que eu te fiz ter ciência, poucas são tão verdadeiras quanto as que eu deixo impressas no meu silencio. Naquele silencio que eu torço pra vires e Me dares um beijo no rosto e perguntar o que eu tenho, mas que nunca vens. Ah Se tu soubesses o que tem escrito no pergaminho do meu silencio. Ah se te importasses tanto ao ponto de se questionar uma vez que seja sobre das coisas que eu nunca te falei.... Nunca terias tanta certeza sobre essas rédeas que achas que tomas. 

quinta-feira, abril 26

De todas as lembrancas passadas, foi uma das poucas que eu guardei pra mim. " Seremos sempre importantes na história um do outro", nos prometemos naquela manha chuvosa. Se cumprimos?
Claro que não. Não fomos importantes na historia um do outro. fomos importantes, fomos história, mas não fomos um do outro. Não fizemos questão de ser. E eu não reclamo. Foi legal, foi interessante, foi fora do comum, mas foi, e agora não é mais. E não digo que quero de volta, longe de mim. To aqui pra falar das coisas que foram, e não das que eu quero de volta. To aqui pra falar do que foi, e graças a Deus, não volta.