terça-feira, maio 22

Das rédeas.

Acho que o nosso problema é que eu deixei tomares as rédeas de tudo. Eu nao devia. eu nao podia ter errado assim. Te deixei saber de coisas que eu mais devia era ter guardado pra mim. Te tanto ter tantos caras cheios de duvidas, tentei anular teus pontos de interrogacao, tentei te dar certeza de tudo. Todos os outros caras Me diziam que comigo nao ia dar certo porque eu nao colocava exclamação em canto nenhum. Deixava tudo subentendido, escondidinho debaixo do tapete. Contigo eu tinha tanto medo de errar que escancarei todas as verdades.  Eu nao queria que sentisses medo comigo. Eu queria ser tua fortaleza. Tua melhor amiga. Tua confidente. Te deixei saber de tudo e quando começastes a saber de tudo tivestes a certeza que eu nao te trocaria. Porque te trocaria? Eu dizia e demonstrava e gritava e lotava a tua caixa de entrada com todas as certezas da minha vida. Com tantas convicções assim porque irias temer Me perder? E nao temestes. E nao temes. Porque sabes que Me tens. Quando eu te vejo eu sei que Me tens.  E agora nao lutas mais pra ter o que já conquistastes. Acontece que é so fechares a porta pros fantasminhas do desanimo me rondarem e todos os teus defeitos virem a tona. Porque eu só consigo guardar pra mim?  Burra. Burra. Burra. Tomastes as rédeas. Agora eu que vivo questionando sobre a veracidade de tudo. E Me fazes de gato e sapato. E eu odeio ser feita de gato e sapato. Mas o que se há de fazer quando Me olhas com esses teus olhos pequenos bem fundo dos meus olhos também pequenos e ficamos ali nos encarando, tentando decifrar o que o outro esta pensando? Eu, de tanto te dar certezas Me enchi de duvidas e agora é sempre assim. Eu engulo seco o meu choro e meu grito porque ninguém ira o escutar. Eu guardo pra mim todas as coisinhas bestas, todas as dores miúdas que Me acompanham. Nao compartilho. Nao da pra compartilhar nada quando eu olho pros teus olhinhos miúdos que estão  Me encarando também.  Aí eu vou levando essa ciranda corrosiva ate onde eu puder. E quando eu nao puder mais levar essa dança eu vou partir como tantos outros de mim partiram. E nao vais nunca saber dos meus motivos. Estavas ocupado demais se acomodando com as minhas certezas que nunca se questionastes sobre os meus silêncios. Sobre as minhas fugas. Nunca se preocupastes em entender as minhas entrelinhas. Porque como de herança, é só lá que eu escancaro as minhas verdadeiras verdades. É pequeno, dessas meio verdades que eu te fiz ter ciência, poucas são tão verdadeiras quanto as que eu deixo impressas no meu silencio. Naquele silencio que eu torço pra vires e Me dares um beijo no rosto e perguntar o que eu tenho, mas que nunca vens. Ah Se tu soubesses o que tem escrito no pergaminho do meu silencio. Ah se te importasses tanto ao ponto de se questionar uma vez que seja sobre das coisas que eu nunca te falei.... Nunca terias tanta certeza sobre essas rédeas que achas que tomas. 

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