domingo, julho 11

boas memórias

Toda aquela frustração, e todo aquela raiva, e tudo aqui de me enlouquecia de furia, de nojo, de repugnância, passou quando ele me disse que eu o mudei. que ele tinha um coração de pedra que a minha liquidez conseguiu amolecer.
E isso bastou, bastou para toda aquela mascara de " já vai tarde" entrasse em ebulição e levasse a tona aquela moleca com lágrimas nos olhos.
Foi um tempo tão bom, e mesmo quando havia indicios do fim eu planejava ficar mais um pouco, retardar o irremediável, e ficar ali, só pra fazer alguma coisa que o fizesse se lembrar de mim com um sorriso nos labios daqui a alguns anos.
porque quando se sente o fim o que nos resta é isso, não é? isso de querer deixar o máximo de boas recordações na gavetinha da memória do outro. Pra que ele se lembrasse de mim quando alguma coisa boba acontecesse.
Eu tinha esperanças disso, de pertencer aquele cantinho das memórias boas, aquele que poucas coisas conseguem penetrar, porque eu queria ter sido uma coisa boa para ele, mesmo com todos os meus erros, todos os meus vacilos, mesmo que nem todas as vezes o erro tenha sido meu, mas eu tenha dito que foi, só pra evitar mais discussão. Eu queria queria ser uma memória boa, assim como ele foi pra mim.

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