sábado, outubro 5

dispensa previsão.

Não sei o que tu esperas de mim, ta ligado? Eu te pedia corda e tu só me dizias "vamos com calma".
 Abristes mão da coisa toda muito cedo, seja por costume de deixar as tudo sempre muito no ar pra dar o ar de " wild and free" ou por descaso. Só sei que nunca acreditei nos teus " eu te quero"  quando o teu querer era sempre mais verbal do que físico. A ausência da tua mão na minha nuca nunca me deixou certeza alguma sobre os teus pensamentos em mim quando acordavas, nem na tua urgência toda em não me dividir com ninguém.
Eu senti falta do toque, cara. Senti falta de uma mão na cintura e outra apoiada na parede. Senti falta de uma ou duas festas juntos. De um daqueles olhares vazios mas que dizem tudo. Senti falta de um sotaque pra me perder enquanto eu me concentrava em ficar séria só pra dar mais veracidade em uma pseudo discussão nossa. E tu não me destes nada disso e ainda tivestes que me dizer que eu cavei minha própria cova quando o assunto era um improvável "nós".
Pessoas sensíveis como eu não esperam caras latentes como tu, cara. Se vai ficar nessa de chove-não-molha, eu vou procurar alguém pra mudar de sólido pra gasoso numa noite enquanto tu ponderas se vale a pena cogitar uma mudança de temperatura.
E tinha tantos caras afim de me dar aquela arrepiada no braço quando se toca devagar na nuca, que me pareceu sem logica nem nexo esperar por alguém que nem sabe o que quer, como caras que acham que tem o mundo na mão assim, que nem tu.
Perdeu cara, babau, dançou. E nem vem com teu cinismo em dizer que quem estragou tudo foi eu, que a tua paz de espirito nunca me convenceu. To indo nessa e nem espero que me peças pra ficar: tuas manias de eternidade não me convencem, e não passam de puro medo de descobrir que o mundo é agora e já.

Nenhum comentário:

Postar um comentário